Corra pra Netflix assistir o espanhol Peles.
Filminho espanhol bem estranho, Peles conta histórias de pessoas com deformações físicas (mas não só) que tentam viver em um mundo preconceituoso onde se julgam o livro pela capa.
Uma mulher com o cu no lugar na boca e a boca no lugar do cu; um homem que odeia as pernas e tenta se livrar delas para ser uma sereia; uma mulher sem os olhos que usa 2 cristais no lugar; um homem com a pele que parece que foi toda queimada; uma mulher com o rosto derretido; uma anã que realiza fantasias sexuais de clientes e quer ser mãe.
Junto a esses “freaks”, pessoas sem as deformações físicas mas que são também freaks de alma. Quando eles se juntam, as coisas funcionam. Ou quase.
O filme é bacana, não tem nenhum julgamento moral, muito pelo contrário. O diretor estreante, o espanhol Eduardo Casanova e produzido pelo diretor mais interessante do país, o doidão Álex De La Iglesia.
Pensando bem, consigo enxergar uma semelhança filosófica entre Peles e o americano Corra! (Get Out), como filmes do novo chamado terror sociológico.
Peles é uma puta crítica social sem metáforas, bem descarada mesmo, bem contada.
Peles rende tributo ao mestre Pedro Almodóvar, não só no roteiro com os freaks e desajustados, mas também esteticamente. A direção de arte de Peles é inteira, absolutamente inteira, em tons de rosa, lavanda, lilás. Todos os cenários, figurinos, objetos, tudo é nesse tom fofo pra contar histórias de pessoas nada fofas, em princípio.
Vendo Peles a gente acha que Almodovar é bem sutil, já que nesse filme a aura colorida e estranha é bem potencializada.
Uma única crítica pra mim é a fotografia do filme, tudo muito chapado e sem profundidade, o que é uma pena porque com os cenários do filme, as possibilidades eram imensas.
Mas Peles, como um neto, digamos assim, da primeira onda Almodovariana, diz a que veio. Não posso esperar qual vai ser o próximo filme dessa turma.

