Savage Youth começa mal.
Enquanto rolam os créditos iniciais do filme, em tela escura, ouvimos o áudio do diretor conversando com um ator dando as últimas instruções antes de filmar uma cena.
Quando muda a imagem, vemos um ator dizendo que não sabe se decorou, perguntando se vai ter que dar o texto inteiro sem corte.
Silêncio, câmera em posição, ação e o ator “recita” o que poderia ser uma letra de um rap ou uma poesia bem street, algo bem “gueto”, só que vindo de um personagem branco.
Já fiquei com o pé atrás.
Mas o filme se inicia e vemos que o personagem, como todo o filme, é um white trash, um cara muito da periferia de alguma cidadezinha tosca, com 2 outros amigos quase limítrofes, bandidinhos, maconheiros, todos bem brancos de olhos claros, o que fica sempre muito explícito.
Logo chegam 2 meninas que querem fumar maconha, estão sozinhas em casa e lá vão eles, no meio de um dia qualquer como se nada mais importasse.
Corta para outra turma, a dos negros, os maconheiros mais “empreendedores”, que não só usam a maconha mas que acabam comprando a mais e vendendo pra quem pode.
Esses negros são também da periferia, mas nos é deixado também explícito que outra periferia, os brancos moram em um lado da cidade e os negros em outro.
O que acontece nos 90 minutos do filme é o quanto o diretor nos mostra que tanto uma turma quanto a outra poderiam trocar de lugar, todos os personagens são no fundo os mesmos e nem essa relação de raça acaba sendo tão importante onde eles moram, ou como ele quer nos mostrar, no próprio país, já que o filme seria um retrato microscópico do geral.
Tudo isso é até bacana, bem fotografado, bem dirigido e as intenções até certo momento são legítimas.
O problema é que o diretor Michael Curtis Johnson é mega pretensioso.
O que poderia ser uma nova versão ou uma releitura de Kids sem skate e sem sexo mas com drogas e rap, acaba sendo uma cópia mal feita de filmes de gueto e de periferia, ao que parece pelo olhar de um diretor branco, rico e sem nenhum conhecimento prévio do seu objeto.
O filme é um monte de clichê racial encenado por atores que poderiam estar na Royal Shakespeare Academy de Londres, de tão deslocados que parecem de seus personagens.
O que poderia ser interessante e até ser considerado “estilo” ou linguagem não funciona e é a pedra amarrada no pescoço do filme que é baseado em uma história real que deve ter sido uma nota de rodapé de um jornal sensacionalista à época porque, além de ter um final esperado e óbvio, não ajuda em nada nos 85 minutos anteriores de um filme onde nada de relevante aconteça.
Pensando bem essa falta de revelância se deve muito a esses 5 minutos finais, mais irrelevantes ainda.
Errou na mosca, filhão.
NOTA: 🎬🎬1/2

