108/2019 HIGH LIFE

Começando do começo, eu não gosto de nada que a Claire Denis já tenha feito.

Mas eu pensei comigo “ah, filme no espaço, nave, filosofia francesa, a Deus Mia Goth, Binoche, Pattinson, não tem como dar errado”.

É pessoal, na maioria dos casos a minha primeira percepção não falha.

Olha a ideia de jerico do roteiro: num futuro desesperado qualquer, resolvem encher uma nave espacial com jovens condenados à morte, liderados por uma médica doidona (Binoche, amiga da diretora e que continua passando vergonha em seus filmes).

Pra piorar o roteiro: a missão da nave é ir em direção ao Buraco Negro mais próximo do Sistema Solar. Porque, né, os caras já estão condenados à morte, vamos usá-los pra algo útil, que seria mandar informações sobre o “lugar” que vai matar todo mundo.

Mas não, não tem problema deixar na mesma nave, viajando pelo espaço por anos a fio, um bando de jovens, homens e mulheres, todos bem delinquentes, do mal mesmo.

Ah, tem mais: o suporte de vida deles é diário, com controle na Terra, ou sei lá onde, e eles tem que se virar pra provar que tá tudo bem na viagem. Mas nunca tá tudo bem, claro.

Pra ser mais “malucão” ainda, tudo isso é flashback.

O que realmente está acontecendo é que um dos “astronautas”, Monte (Robert Pattinson, melhor que nunca) e sua filha criança e logo adolescente, vivem como podem dentro de uma nave em direção à morte.

Se as 2 horas de filme fossem focadas nos 2, em seu relacionamento com final anunciado, mostrando o quanto uma criança pode mudar a personalidade de um bandido e por aí vai, o filme poderia ter atingido o nível de pretensão de ficção científica fantástico de cinema cabeça que a diretora Denis esteve procurando.

Eu ia fazer piadinha com os buracos negros do roteiro, com a nave flutuando no espaço ser mais ágil que o filme devagar quase parando mas a preguiça é tanta que nem piada direito saiu.

Nada se salva: a trilha é chata, os personagens são estereotipados, a câmera é bem ruim, a edição falha em muitos momentos constrangendo as sequências.

E o pior de tudo, Juliette Binoche tem a sua pior cena disparada em toda a sua tão prolífica carreira. Eu quase desisti do filme depois dessa atrocidade mal iluminada e mal filmada, mas quis ver até onde ia e vi que o buraco (negro) era mais embaixo.

Claire Denis criou um universozinho tão chato e errado que eu passei as tais 2 horas torcendo pro buraco negro.

O filme começa com pretensão de ser um Solaris do Tarkovsky (nem a refilmagem, porque ela é pretensiosa) e acaba sendo um arremedo de filme profundo no espaço, que deixaria tudo mais profundo porque lá, além de ninguém poder ouvir seu grito, não existem regras.

E pensar que High Life era uma dos filmes mais esperados de 2019.

NOTA: 🎬🎬

16 pensamentos sobre “108/2019 HIGH LIFE

    1. Eu não faço crítica, eu resenho os filmes. Quando o filme é uma porcaria, que é esse caso, eu só falo do que eu não gostei mesmo e aconselho a não assistirem.E acho que essa resenha tá meio longe de uma criança birrenta, hein.

  1. Acho que Robert Pattinson salva o filme. É chato mesmo, mas não é dos piores. Acho que no mais é um filme insignificante.

  2. Pela critica, da pra notar que filme bom pra voce, é Velozes e Furiosos e Transformers; Mano do céu, que resenha absurda. Só faltou dizer que não entendeu nada, tu deve sofrer ate pra entender Tom & Jerry.

    1. entendi tudo, até porque nem tem tanto pra entender nesse filmeco. Claire continua fazendo filme porcaria com cara de “artsy” pra um público que acha que precisa gostar dela por causa desse verniz besta de seus filmes.

  3. A crítica é sincera e hilária. Achei justa por realmente o filme deixar a desejar, o qual teve mais a intenção de fazer um filme cult para metidos a intelectuais, do que uma história boa e criativa. Os pontos positivos foram a boa atuação do Vampiro Porpurina que está arrebentando em seus últimos filmes e o tema científico super atual sobre o buraco negro com a sua imagem recém descoberta e a possibilidade real do homem atingir 99% da velocidade luz, que já foi feito em experimentos em laboratório com uma partícula. Uma pena, um tema bem legal desperdiçada em uma cadeira de masturbação.

  4. Os caras não entendem o filme daí ficam dizendo que é para “metido a intelectual´´. Analisando essa resenha eu concluo que… nada a ver.

  5. Pessoal tenta criar polêmica com a resenha , mas é simples:
    Quem curte filmes “intelectuais” não tem como gostar deste, porque ele não tem nenhuma questão intelectual explorada.
    Quem vibra com filmes “violentos” não tem como gostar deste, porque ele não tem nenhuma ação ou herói.
    Quem se excita com filmes “sexys” não tem como gostar deste, porque ele é apenas depravado e doentio.
    Quem adora filmes “sci-fi” não tem como gostar deste, porque a ciência não chega nem a ser pano de fundo.

  6. Concordo com a resenha. No começo o filme era ruim, mas no decorrer e quase no termino do filme.. Ele ainda parecia o começo!

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