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O NOVO MUNDO (post vintage)

Terrence Malick é um diretor que mais parece um observador.

Seus filmes são longos, lentos, sempre com locução em off dos personagens principais, sempre dando a impressão de estar reverenciando a história que ele conta mais do que contando propriamente.

Seu mais recente filme O Novo Mundo é mais um que prova isso tudo. Ele conta a história de Pocahontas, a nativa americana que encantou os primeiros colonizadores ingleses daquele terra distante a ponto de trair seu povo e ser expulsa de sua tribo pelo rei seu pai e viver com os conquistadores até ir para a terra-além-das-ondas, a Europa, e lá perecer após finalmente ter resolvido seus “problemas” do amor.

A Disney, uma década atrás, contou a mesma história, mas terminou o filme de animação na parte que não faria seu público de 8 anos de idade se debulhar em lágrimas. Já Malick não poupa ninguém do final triste. Muito pelo contrário, constrói o filme de maneira que ao final, sentimos tanto “carinho” pela princesa índia que ao vê-la correndo num jardim inglês com seu filho queremos que o filme termine ali e não mostre o final que já adianta.

Em verdade isso é uma grande coisa, mostra do exímio talento de Malick, mostra de sua maestria em contar histórias, em manipular informações de forma que leve sua audiência ao estado que o apraz. Caímos como ratinhos levados pelo som suave de uma flauta encantadora.

E apesar do elenco macho-estelar do filme, a grande estrela é a novata que faz o papel da princesa que encanta tanto os ingleses invasores. Colin Farrel e Christian Bale, dois exemplares dos melhores ingleses de sua geração caem ao pés da neta de esquimó que vai do sublime à loucura em 2 horas de belas imagens e silêncios solenes como só um mestre como Malick poderia nos mostrar.

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