“Swans” é uma banda americana de pós punk liderada pelo ganiozinho Michael Gira. Lembro que quando descobri a banda, no fim dos anos 80, ouvia sem parar e pensava que “Swans” era pra mim a tradução musical de um coito interrompido. Ou algo como uma música que vai criando clima absurdo e pára na hora X, antes do clímax.
E eu adoro “Swans”. Acho um primor você conseguir fazer isso. Meio que tantra, guardar energia, “desperdiçar” na hora certa.
(ouça essa música abaixo e tente entender o que digo de criar clima ad infinitum)
“O Som Ao Redor” é bem isso, o filme é um exercício tântrico.
E claro, uma aula de cinema, uma aula de montagem, uma aula de como contar uma história que não existe.
Ou assim quer o diretor do filme que a gente pense.
O filme não parece com nada feito recentemente no cinema brasileiro, um cinema de comédias horrorosas, de produções de quinta categoria que se justificam dizendo que a comédia romântica americana é a grande coisa do cinema de hoje em dia.
“O Som Ao Redor” é uma pérola num país de filmes do Selton Mello.
É o filme que ganha prêmios e mais prêmios em festivais gringos enquanto a mediocridade é mandada pra concorrer ao Oscar.
Pense em sutileza, pense em Lucrecia Martel, a argentina que nos deixa de queixo caído comparando uma menina virgem e linda com um Teremin em “A Menina Santa”, pense num filme que o Iñarritú deveria fazer e não faz.
“O Som Ao Redor” conta várias histórias de várias famílias e personagens que vivem na mesma rua de um bairro do Recife. Você não sabe exatamente qual a ligação de um com outro, sente que existe uma conexão mas não sabe onde vai dar.
O clima criado no filme vai te levando a uma tensão absurda. Eu ficava esperando algo acontecer em cada cena, penso, apreensivo.
Não vale a pena contar a história de “O Som Ao Redor”.
Só aconselho que o flme seja visto em um cinema com uma projeção boa, com um som bom e que se deixe levar pelas sutilezas que seu diretor Kleber Mendonça Filho nos dá de bandeja numa obra que, já descoberta em todo mundo pelo circuito de festivais, espero que seja descoberta por aqui, seus pares brasileiros.

