“Gravidade”, o filme do ano.

“Gravidade” não só é o filme do ano, mas o filme dos últimos anos.
Claro que estou falando de filmão, de Hollywood, de muito dinheiro gasto, porque só esse ano temos “O Passado” e “O Estranho do Lago”que são filmes absurdos de bom, concorrendo com esse “Gravidade” como filmes de 2013.
Faz alguns anos que todos nós fãs do Alfonso Cuaron, o diretor de “Gravidade”, vínhamos esperando esse seu novo filme. Confesso que quando li que ele estava filmando com o Clooney e a Sandra Bullock como atores principais em um filme com 2 personagens, confesso que morri de medo. Mas depois de ver o filme 3 vezes tenho certeza que a Sandra só não ganha o Oscar se ela se perder no espaço de verdade.
Os teasers que foram sendo soltos esse ano me deixaram com a pulga atrás da orelha. E a ansiedade foi vencia quando vi o filme a primeira vez.
“Gravidade” conta a história de uma cientista (a própria Sandra) que está no espaço pela primeira vez fazendo pesquisas em uma estação espacial e tem um astronauta experiente, George Clooney, “tomando conta dela” enquanto ela instala alguma coisa do lado de fora da estação.
Eles recebem um aviso via rádio que devem retornar imediatamente a estação porque uma outra estação russa acabou de ser atingida por um meteoro ou algo parecido e o lixo está indo em sua direção.
Eles correm, tentam e se dão mal.
E não, isso não é spoiler, isso se passa nos primeiros 15 minutos de filme que aliás, são um plano sequência de tirar o fôlego, sem cortes e sem som e como se deve filmar no espaço mesmo.
Parece mesmo que Cuarón filmou no espaço. É incrível o que ele faz e o que ele criou para dar essa impressão. O cara praticamente inventou um novo cinema. E ele diz que por isso demorou tanto pra fazer esse filme.
Vi uma entrevista dele dizendo que ele demorou 14 semanas para filmar, o que é normal numa produção grande, mas que ele demorou anos de pré e anos de pós produção para chegar onde queria.
A partir daí vemos um filme de desespero por salvação e não só de salvação da própria vida, mas de salvação da alma, da sanidade, da razão pra se viver.
A personagem de Sandra perdida no espaço, sem achar que vai conseguir voltar pra Terra se descobre perdida em si mesma, em sua vida, depois de achar que perdeu um sentido pra continuar vivendo e só percebe isso lá no céu, no meio do nada, quando o destino ou a vida ou o acaso ou o que quer que seja a coloca diante de uma situação de risco e desespero.
Cuarón nos coloca ou nos entrega cenas maravilhosas, algumas bem sutis e outras bem explícitas, como a mais linda da primeira metade do filme que é quando a personagem de Sandra está dentro da aeronave, tira a roupa e dorme flutuando em posição fetal, se sentindo protegida, de volta ao útero pronta pra renascer.
(E não, de novo isso não é spoiler, isso é pseudo filosofia de bala de hortelã).
E o que falar do Clooney? O cara é bom, me rendi a ele em “Siriana”, mas descobri que ele não pode sorrir. Ele não sabe sorrir, sempre faz a mesma cara de bobo franzindo a testa, o que me irrita muito.
Mas ele cumpre o seu papel nesse filme, não atrapalha e na verdade papel esse que poderia ter sido vivido por qualquer ator num filme onde a atriz reina sozinha.
E o que é o fim do filme? Uma homenagem, um quase remake, uma aula, um absurdo que é melhor eu parar por aqui para evitar spoilers mesmo.
Cuaron é o diretor mexicano bem bom, mas ebm bom mesmo de “Filhos da Esperança” e de “Y Tu Mama También”. O cara filma pouco, filma bem demais e sabe o que faz.
Nesse “Gravidade” ele escreveu o roteiro com seu filho Jonas que parece agora está dirigindo seu primeiro filme.
Eu demorei pra escrever sobre “Gravidade” porque na verdade queria digerir bem o filme e estava esperando uma oportunidade que finalmente chegou.
Em um momento do filme, a astronauta de Sandra está sozinha na aeronave e tenta via rádio mandar mensagem de socorro e em um momento ela consegue falar com alguém e ser ouvida pelo rádio. Só que ela não entende a língua que falam do outro lado e ela não se faz entender. Mas mesmo assim conversa ouvindo o que está acontecendo lá longe e se sente menos sozinho por um momento.
Jona, o filho de Alfonso, dirigiu um curta que se chama “Aningaaq” onde ele mostra quem fala com a Sandra aqui na Terra.
O filme é ótimo e dá pra assistir sem estragar nada se você ainda não viu “Gravidade”, o que na verdade é um absurdo. Larga tudo e vá ver agora!

Leave a Reply