Toda vez que eu vejo um filme de amor eu fico pensando quem seria eu no casal.
Porque sempre tem um romântico, ou um que termina, ou um que é filhadaputa, ou um que…
E eu sempre fico pensando quem sou eu.

“Ela” é o novo filme do Gênio (sim, com G maiúsculo) Spike Jonze.
Ele é o cara que fez todos os clipes fodões dos Beastie Boys.
É o cara que dirigiu “Being John Malkovitch”, “Adaptação” e mais um monte de “Jackass”, clipes da Bjork, dos Chemical Brothers só pra resumir.
É um cara que sempre tenta criar um mundo diferente do nosso pra contar suas histórias, seja na fotografia, no figurino, na direção de arte, na forma mesmo de contar tais histórias.
Nesse “Ela”, Jonze fez um filme a partir de um roteiro original seu mesmo, sobre um cara num futuro próximo, ou mesmo num presente paralelo (a tal da distopia que eu muito amo), que se apaixona por seu sistema operacional.
O cara é vivido magistralmente por Joaquin Phoenix, acho que meu ator americano favorito, que é um escritor de cartões ou cartas ou o que quer que alguém precise que ele escreva.
Ele sempre é elogiado por seus colegas de trabalho como sendo poético, sensível.
Só que ele é quase que um solitário, mora sozinho, está se divorciando de sua ex esposa e um dia, numa atualização do sistema operacional de seu telefone e computador, tem que escolher a voz que vai acompanhá-lo dali pra frente.
Ao escolher uma voz feminina, começa a conversa com uma voz doce e sensual ao mesmo tempo, rouca e suspirante e meiga ( a voz é de ninguém menos que Scarlett Johansson).
Esse novo sistema operacional é super inteligente faz tudo pra você desde ler e responder emails até oferecer dicas de coisas que você talvez goste.
Só que a voz, o sistema operacional, bate papo, te faz rir, ri das piadas dele e ele aos poucos vai se afeiçoando, se ligando de uma forma inesperada até que…
Não dá pra contar, mas dá pra imaginar o que possa acontecer.
Essa é uma história de um cara que se apaixona por uma voz de alguém interessante e inteligente, s´ø que esse alguém não existe.
Fico pensando o quanto isso já aconteceu comigo, me apaixonar por promessas de pessoas que no meu caso existem, mas que até eu descobrir que de verdade elas existiam eu já tinha me apaixonado e quando descobri, vi que o bom da pseudo paixão era a possibilidade da não existência.
O mundo real é cruel e difícil e o personagem de Joaquin, apesar de saber disso ou mesmo por saber disso, se entrega cada vez mais a essa voz.
Uma sequência icônica do filme é quando ele vai encontrar uma mulher que a voz do sistema operacional acha que pode ser seu “avatar da vida real”, o contrário do que fazemos hoje em dia. E quando ele encontra essa mulher, tudo vira de cabeça pra baixo.
É genial.
O roteiro é esperto, bem escrito e bem amarrado.
Claro que a atuação de Phoenix é um absurdo de boa e ainda mais, a atuação de Scar Jo é um absurdo de melhor ainda.
Já achava ela uma puta atriz bacana que nas mãos de um diretor bom faz horrores, mas dessa vez ela me surpreendeu mais ainda. Só com a voz, meudeus…
Estão dizendo que ela não pode ser indicada ao Oscar exatamente por ser só uma voz no filme, mas se pudesse, ia ficar difícil pro resto da mulherada.
Parece que eu fico vendo filme porcaria americano o ano inteiro pra chegar agora nessa época pré premiações assistir todos os filmes bons que deveria ter visto o ano todo.
Esse “Ela” é com certeza melhor que os outros que falei recentemente serem os melhores do ano.
Roteiro lindo, direção primorosa, direção de arte incrível, trilha linda, atuações de tirar o fôlego, elenco afiadíssimo, inclusive o secundário com Amy Adams, Olivia Wilde e Chris Pratt, tudo perfeito.
Filmaço.
