Ou ainda: Denis Villeneuve é Deus.
“Sicário” é o filme americano a ser visto nesse fim de ano. Nele a melhor que nunca Emily Blunt é uma agente do FBI bem atormentada, bem “real” cheia de problemas, não uma super-heroína.
Ela é chamada para uma operação para acabar com o maior nome do cartel de drogas mexicano por agentes não do FBI mas que mandam em tudo e lá vai ela.
Benicio Del Toro, Josh Brolin e mais um bando de brutamontes levam Emily para os piores lugares da fronteira EUA/México onde ela vê brutalidade, enforcamentos, decaptações, pobreza, miséria.
Só que nem ela nem seu parceiro entendem porque eles 2 estão ali no meio daquilo tudo.
O diretor canadense Villeneuve cria mais uma vez um clima absurdamente tenso em seu novo filme e com a ajuda da melhor trilha sonora do ano composta pelo islandês Johann Johannsson me deixou por mais de 2 horas tentando respirar de uma forma razoável.
Villeneuve em seus outros filmes já se mostrou O cara pra dirigir atores, criar clima, levar o filme numa espiral descendente até que a gente, de novo, perca o fôlego. E com “Sicário” ele se superou.
A personagem de Blunt é a forma dele nos manipular: ela é durona e inteligente e comanda uma equipe fodona mas ao mesmo tempo ela é frágil, cansada, triste. Personagem com nuances e profundidade, algo quase impossível no cinema americano.
Blunt dá um show. Muito bem dirigida ela é incrível e nos faz acreditar em cada respiração e cada passada de mão no cabelo. Sem maquiagem, sem cabelo lindo, de jeans e camiseta e sutiã de vovó, a mulher não vai ganhar prêmios só se o povo for doido.
Aliás, também assisti “Meadowland” com ela, um drama indie onde ela e o marido “perdem” um filho de 10 anos de idade num posto de gasolina no início do filme e então tudo só fode. Ela de novo, com um roteiro bom e uma diretora competente, rouba o filme.
“Sicário” podia se passar no subúrbio do Rio ou de São Paulo quase, mas é pior ainda do que a gente vê por aqui. Mas é um filme que nas mãos de um diretor menos competente viraria um “Tropa de Elite” de quinta.
Villeneuve, sim, é Deus.
E que venha o próximo “Blade Runner” dirigido por ele.

