Acho que consigo dizer em muita dúvida que 2015 foi sim o ano da visibilidade trans.
Laverne Cox na capa da revista Time.
“Transparent”, a melhor série americana, lança uma segunda temporada que vai entrar pra história.
Claro que as Kardashian não podiam ficar de fora e a Caitlyn arrasou em capas de revistas, no seriado de tv, em premiações e em barracos e críticas também.
E “A Garota Dinamarquesa” fecha esse ano com chave de ouro.
O filme conta uma lindíssima história de amor entre um casal de artistas dinamarqueses no início do século XX onde ele se descobre trans e com o total apoio de sua esposa faz de tudo para poder viver como Lili e não mais como Einar.
Aliás, Gerda, a esposa, é vivida pela novata maravilhosa Alicia Vikander que na minha opinião rouba o filme e com certeza vai levar umas indicações pra prêmios por esse filme e pela robô em Ex-Machina, outro dos poucos bons filmes de 2015. Mas claro que todo mundo vai falar do Eddie Redmayne que faz Einar/Lili como sério candidato ao Oscar, mas eu não votaria nele não, apesar dele estar soberbo no filme.
“A Garota Dinamarquesa” é dirigido pelo inglês Tobe Hopper.
Sabe aquele moleque que só tira 10, é o melhor aluno da classe sempre, desenha, canta, fala nas festas, líder mas não é amigo de ninguém e quando termina a aula vai pra casa e ninguém convida pra brincar?
Hopper deve ter sido assim.
Ele como diretor de cinema é assim também.
Seus filmes são lindos, bem filmados, com uma direção de arte linda, fotografia primorosa, atuações muito boas mas que depois de um tempo ninguém dá muita bola. (ou pelo menos eu)
Seus filmes são ótimos mas não inesquecíveis.
Pra mim ele é atualmente o rei dos cenários e locações lindas.
“A Garota Dinamarquesa” é tudo isso mas é um filme meio formal, meio que “by the book”.
Nas mãos de um diretor genial, mais inventivo, entraria para a história.
Mesmo assim, num ano fraquíssimo no cinema,“A Garota Dinamarquesa” vale a sessão.
Ah, outras 2 coisas boas do filme: os cenários art-nouveau em Paris e o belga Matthias Schoenaerts.

