12/365 A CRIADA

A Criada, um dos meus filmes preferidos dos últimos anos, é a nova porrada na cara do diretor coreano Park Chan-wook que já nos brindou com a trilogia da vingança onde “Oldboy” é o principal desses 3.

Chan-wook adaptou o livro cuja história se passa na Inglaterra vitoriana para a Coréia dos anos 30 (quando ocupada pelo Japão e onde os velhos aristocratas tentavam de tudo para serem “mais japoneses”) para contar sua história de submissão, sexo e obviamente violência, mas não como já vimos em seus outros filmes.

A Criada conta a história onde um desses aristocratas cria sua sobrinha muito rica para que seja sua esposa e usa sua paixão por livros eróticos para educá-la. A criada do título chega na casa deles como parte de um plano de um conde truqueiro para fazer com que a sobrinha e herdeira se apaixone por ele e então ele a interna em um manicômio e fique com a herança dela.

Só que a criada não contava que se apaixonaria pela mulher e por isso tenta fazer com que o plano inicial mude.

O filme conta a história através de pontos de vista diferentes e, como não poderia ser diferente em um filme do coreano, as reviravoltas de roteiro são o máximo. Sexo, fetiche, violência, submissão, mais sexo, reviravoltas, A Criada é um filme obrigatório.

A Criada é o filme mais deslumbrante do ano: a direção de arte (onde temos figurinos, locações, maquiagem, cabelo, objetos) e a fotografia do filme são com certeza duas das personagens principais do filme. Muito da história, do sexo,  da sedução e até do terror do filme se devem ao que vemos nos enquadramentos precisos do fotógrafo de sempre de Chan-wook, o também coreano Chung Chung-hoon.

O diretor diz que tentou contar a história de amor entre a herdeira e a criada de uma forma que não parecesse um velho tarado filmando sexo porque senão ele seria o próprio tio da herdeira em cenas que ele recebe dinheiro de outros aristocratas que vão ver e ouvir a sobrinha ler os contos eróticos numa sala de leitura deslumbrante da mansão.

O roteiro do filme me deixou muito impressionado com as reviravoltas e com as nuances de personalidade das personagens principais e a forma como o diretor usa no filme é primorosa. A edição do filme é precisa dando um ritmo peculiar para cada ponto de vista que a história é contada.

Coisas de um diretor em talvez seu auge criativo, o que eu achava sinceramente que teria sido o velho e bom Oldboy.

A Criada entra hoje em cartaz nos cinemas e assistir todo esse deslumbramento em tela grande é um prazer. Recomendo imensamente.

Um detalhe: a cena mais animal do filme na minha opinião, é uma cena que a criada, ao dar banho na herdeira, tem que “lixar” um de seus dentes que está trincado e a machucando. E eu acabei de ler que foi a parte do livro que fez com que Chan-wook tivesse vontade de adaptar para o cinema.

Detalhe 2: o filme tem uma subjetiva absurda em uma cena de sexo que até agora estou aplaudindo de pé o diretor.

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