16/365 A CHEGADA

Se tem um elogio que posso fazer de cara ao filme A Chegada é que parece ser um ótimo filme do Ridley Scott.

Só que é um filme do Denis Villeneuve, o canadense que vem ganhando o mundo com filmaços sob a sua batuta que veio lá de trás, desde o fenomenal Incêndios até esse bom A Chegada.

E Dennis agora está em vias de terminar a continuação do Caçador de Andróides, o Blade Runner 2049, sob a produção de quem?

Ridley Scott, obviamente.

Voltando à vaca fria, A Chegada é um bom filme. Não é essa maravilha toda que estão querendo que seja com indicações a prêmios dizendo que o papel de Amy Adams é inesquecível.

Aliás, Amy pra mim é a filha da Regina Duarte de Hollywood, aquela atriz boazinha, bonitinha, certinha mas que não me desce como uma das grandes.

No filme ela é uma linguista que é chamada pelo exército americano para ajudá-los a tentar entrar em contato com uns alienígenas de um ovni estacionado no país. Um dos 12 ovnis estacionados pelo planeta.

Junto dela está Jeremy Renner, um físico que a ajuda com as traduções para decifrar a linguagem dos ets de sete pernas.

O clima é bom, tenso, ela está sempre com medo, sempre com um pé atrás. Mas eu acho que algumas coisas acontecem para que esse pé atrás acabe e mesmo assim não acaba.

Ela luta contra memórias de sua filha que fica doente e acaba morrendo, memórias essas que vão aparecendo sempre em momentos mais dramáticos e mais tensos do filme, que a fazem não dormir, que a fazem sofrer.

O ovni é o máximo, meio que uma concha sem gravidade por dentro, ou melhor, com a gravidade controlada pelos aliens e com uma parede de vidro que serve em princípio para separar os aliens dos humanos, já que eles ficam envoltos por uma névoa e usam a parede para escreverem com uma tinta que sai de seus tentáculos.

Só que: como que aliens tão fodões não entendem o que os caras falam com eles e demoram meses e meses e precisam de linguistas em 12 lugares do mundo pra conseguirem se comunicar?

Outra pergunta é um spoiler, então nem vou fazer, mas é o tipo de dúvida que sempre fico em filmes de invasão de aliens, pro bem ou pro mal.

O filme tem uma bela reviravolta de roteiro chegando no final, não de última hora como numa novela. E é boa a história, uma forma inteligente de resolver um monte de coisas. Mas não a pergunta do bate papo dos aliens com os humanos.

De qualquer maneira, vale a pena. A direção é boa como sempre, a vibe do Ridley Scott é a melhor de todas, e a identidade de Villeneuve de muito close com desfoque tá no filme todo. Um ponto alto é ainda a trilha do meu preferido de hoje em dia, o islandês Johan Johansson. E claro, a fotografia é impecável num roteiro bem amarradinho.

Isso tudo pra confirmar que o filme é bom mas não é esse hype todo que estão vendendo por aí, o que de qualquer maneira, hoje em dia já é uma grande coisa.

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