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45/365 PASTORAL AMERICANA

Pastoral Americana é a estreia do nosso preferido Ewan McGregor na direção de filmes.

Mas não se anime, ele não deu conta de transportar o livro mais famoso e mais denso de Phillip Roth para o cinema.

Diferente da ótima adaptação de outro livro de Roth, Indignação, como já falei aqui, McGregor não conseguiu chegar na angústia do livro, nem no viés politizado ao extremo, nem na recriação de época e nem no drama ao extremo da família rica que tem que lidar com a única filha se tornando uma terrorista numa época que isso significava colocar bombas em prédios públicos para protestar contra a burguesia.

A história, em comparação com a problematização generalizada dos nossos dias, parece muito ingênua e romântica mas para uma época de Guerra do Vietnã e preconceito racial, explodir prédios públicos era a forma mais imediata de mostrar um ponto, por pior que esse fosse. O diretor McGregor usa o quanto pode os pontos de vista, por assim dizer, ambíguos em seu filme, mas detalhes importantes para a história acabam se perdendo pela ânsia de mostrar muito e contar pouco.

O pai trabalhador e bom patrão, ex atleta de sucesso da escola, vivido pelo próprio McGregor, não desiste de encontrar sua filha desaparecida. A mãe à beira de um ataque de nervos, ex miss, é vivida por Jennifer Connelly. A filha gaga e problemática, que quando pequena não gagueja quando canta e que quando cresce não gagueja enquanto é uma guerrilheira, é o grande papel de Dakota Fanning. Muito bem dirigido, o elenco é ótimo com Uzo Aduba de OITNB, Rupert Evans, Molly Parker, David Strathairn mas como vemos nesse filme, não é o suficiente.

Traição, violência, incesto, racismo, intolerância religiosa, preconceito, tudo é mostrado mas muito en passant, nada muito aprofundado em detrimento de uma história que gira mais em torno do pai do que deveria.

Uma pena, mas algo que sempre foi sabido em Hollywood, dos problemas de adaptações dos livros de Roth para o cinema.

Erraram em Pastoral Americana, que em breve estreia por aqui, enquanto acertaram em Indignação.

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