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53/365 DEMON

Um dos melhores filmes de terror do ano passado: Demon, diretamente da Polônia.

A história é linda: Piotr, um polonês vivendo em Londres, volta a sua cidade interiorana para se casar com a irmã de seu melhor amigo, que ele não conhecia antes.

Cépticos, a noiva e seus pais acabam gostando do noivo, que veio do nada, por sua força de vontade em principalmente reformar a casa destruída de seu avô para que o casal more lá.

Ao passar uma máquina pelo jardim da casa, Piotr desenterra uma ossada e liberta um demônio judeu, um dybbuk, que é um espírito com um dever a cumprir.

A sutileza do diretor Marcin Wrona é o grande trunfo do filme: ele nos mostra em detalhes o que aos poucos o dybbuk faz com Piotr.

Suas pequenas mudanças de comportamento são vistas por seus amigos como nervosismo antes do casamento.

Durante a festa, como num bom casamento judeu polonês do interior, todo mundo se joga tanto na vodka que esses detalhes, agora não mais tão pequenos, são abafados como podem. O pai da noiva, em um momento escandolosamente barulhento de Piotr, pede para a banda tocar mais alto para que os convidados não ouçam seus gritos de terror.

A noite toda da festa de casamento é regada à vodka e uma chuva torrencial o que faz com que os convidados não possam ir embora e por isso mesmo bebam até cair.

Ao mesmo tempo, o jardim onde estava o cadáver acaba cedendo cada vez mais, o que faz com que alguns personagens percebam o que aconteceu com Piotr.

O pai da noiva acaba sendo um dos personagens principais do filme tendo consiciência dos fatos à sua quando diz que “o país inteiro foi construída em cima de cadáveres”.

Quando todos acordam no outro dia no lugar da festa, numa ressaca enorme, ninguém tem certeza do que realmente aconteceu na noite anterior e a vida de quase todos continua normalmente.

O filme todo acaba sendo uma grande metáfora criticando a Polônia como sendo um país com demônios escondidos que vez por outra saem e assombram uns poucos enquanto toda a população continua alheia (inebriada?) a um passado não tá distante.

Só pra dar um pouco mais de medo nisso tudo: 3 dias após a estreia do filme em um festival polonês, o diretor Wrona se suicidou em um quarto de hotel.

Medo.

Filmaço!

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