Terminei de ler a edição lindona da Dark Side do livro O Homem Que Caiu na Terra. Nunca tinha lido o livro que deu origem a um dos filmes da minha vida, o clássico de 1976 dirigido pelo doidão Nicolas Roeg e estrelado por Deus, David Bowie.
Depois de ler, revi o filme depois de uns 10 anos sem vê-lo. E foi um choque!
Choque porque obviamente o livro tem coisas mais bem resolvidas que o filme, coisas que eu gostava no filme gostei mais ainda no livro, como o professor Bryce, por exemplo. E Mary-Lou, a esposa do et no filme, uma personagem mais estranha e bizarrinha no livro.
Revendo o filme, primeiro que eu de novo fiquei chocado com Roeg. O cara ousa, não faz concessões, dirige como quer, edita como quer, coloca o povo pelado, doido, num pré hedonismo setentista lindo de morrer.
Depois eu mais uma vez fiquei muito impressionado com o que ele fez com Bowie. Sempre penso que gosto desse filme porque em momento nenhum eu me lembro do Bowie cantor, do Bowie superstar. E eu acho provavelmente essa a grande qualidade do filme: apesar de todo mundo sempre falar do Bowie como um et, como vindo do espaço, no filme ele é sim um alien mas é outro alien, não o Ziggy Stardust e sim o Newton ou Tommy para os íntimos.
Roeg conta a história de um alien que vem pra terra, cai nos EUA e revoluciona o mundo com suas patentes malucas como uma máquina fotográfica que auto revela as fotos, em melhor qualidade que a polaroid. Ou uma invenção de como ouvir música a partir de umas esferas de metal. E patentes fodonas para a indústria de física e química que fizeram esse alien um milionário da noite para o dia.
Só que a vida de um alien na terra tem os seus prós e os contras e Tommy, um cara estranho, desajeitado, branquelo, com problemas com a luz e a gravidade, acaba virando um alcoólatra, viciado em gim.
Entra ganhar milhões, beber muito, transar e tentar ficar bem low profile, Tommy vai construindo uma nave espacial no quintal de sua casa, por assim dizer com uma função bem específica.
O que no livro é super bem detalhado, o filme com sua pegada psicodélica vai nos jogando na cara a história bem doida e bem complicada para ele, muito bem contada e com uma trilha tão linda que dá vontade de ouvir todo dia.
Bowie… Ah o Bowie! Em sua estreia como ator no cinema ele mais uma vez mostra a que veio, não só sendo o astro nos palcos, mas sendo também um belo de um ator que infelizmente não fez tanto filme quanto eu achava que ele deveria ter feito.
O Homem Que Caiu na Terra deveria ficar em cartaz permanentemente numa sessão semanal num cinema “de arte” o resto dos dias, só pra todo mundo se lembrar que um dia, não muito tempo atrás, o cinema nos dava obras de arte absolutamente maravilhosas, ousadas, daquelas que vão mudar o curso do pop e servir de referência para tempos e tempos depois de seu lançamento.

