Em 1982 morria um dos maiores cineastas de todos os tempos, o alemão Rainer Werner Fassbinder.
Pra quem não se lembra ou não conhece, o cara era o grande cineasta da alma, o que melhor mostrava personagens consistentes em histórias muitas vezes fáceis e banais, só que em suas mãos acabavam como filmes profundos, filosóficos, inesquecíveis e sempre um tapa na nossa cara ou um soco no nosso estômago.
Ninguém sai como entrou de um filme do Fassbinder, garanto.
Bom, quando ele se foi, a pergunta sempre foi “quem seria seu sucessor”.
Demorou um tempo até que o francês François Ozon ganhou o trono por mérito comprovado em filmes como Sitcom, 8 Mulheres, A Piscina e Gotas D’Água Sobre Pedras Escaldantes, que inclusive é um roteiro original de Fassbinder que ficou anos à espera de ganhar as telas.
O mais recente filme de Ozon, Frantz, é o que mais me lembra Fassbinder de todos.
Em 1918, logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, no interior da Alemanha, um francês começa a fazer visitas ao túmulo de um soldado alemão o que intriga a família do tal soldado.
Quando eles finalmente se falam, apesar da animosidade criada pelos lados opostos que se encontravam os dois países na Guerra, a família e o francês começam a criar um laço estranho a partir das histórias contadas sobre o relacionamento dos dois amigos na França.
A partir daí o lindo laço que vai sendo criado por todos vai de encontro aos ânimos exaltados dos alemães da cidade contra o francês forasteiro, principalmente porque a ex noiva do soldado morto começa a se afeiçoar por ele. E isso é só o começo.
Como disse sobre o Fassbinder, Ozon também transforma uma história que poderia ser banal em um estudo sobre o coração humano.
Filme lindo demais, com uma direção de atores absurda, Frantz é uma pérola perdida no meio de tantas explosões multi coloridas holywoodianas que assolam nossas vidas.

