Hoje um amigo veio me perguntar o que eu tinha achado de Paterson e eu percebi que não tinha escrito sobre o filme.
Falha minha de deixar de fora da minha lista um dos grandes filmes do ano.
Paterson é o nome de um motorista de ônibus que escreve poesia em seus momentos de folga e mora também na cidade de Paterson.
Ele leva uma vida bem tranquila, casado, tem sua rotina de acordar, toar café, ir trabalhar, volta pra casa, conversar com a mulher, leva seu cachorro para passar e para no bar para uma bebida antes de dormir.
E no meio disso tudo, escreve.
Observa.
Ouve.
Tentar colocar no papel as vidas que por ele passam e que sutilmente vão deixando marcas.
Sua mulher insiste para que ele mande seu caderno de anotações para alguma editora e ela reluta, diz que não está pronto, até que o destino toma conta de sua obra.
Paterson é vivido pelo ótimo Adam Driver, o feioso mais talentoso dos EUA, saído da porcaria que era a série Girls pra ganhar as telonas. Já fez Guerra nas Estrelas, Silêncio do Scorcese e esse petardo do Jim Jarmusch.
Sim, dirigido pelo mago indie Jarmusch, o filme é lindo, calmo, poético, tranquilo, com um ritmo totalmente peculiar e próprio e nos dá uma aula de cinema contemplativo em tempos de super heróis explosivos.


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