Em princípio, o irlandês The Survivalist parece ser um filme mudo.
Num futuro talvez não tão distante o mundo acabou como nós o conhecemos. Nessa distopia, um homem sobrevive no meio de alguma floresta, no meio do nada, em uma casa/cabana fortemente protegida por dentro e com uma pequena plantação de vegetais em seu jardim para poder sobreviver, já que carne é praticamente inexistente.
Por um bom e longo tempo de filme, vemos a rotina desse homem onde nada acontece e apesar disso, ele tem sempre uma espingarda em punho.
Ao que parece, nesse novo mundo todo cuidado é pouco.
Até que em seu jardim um dia aparecem 2 mulheres, mãe e filha, procurando comida, abrigo, o que quer que seja. E pela primeira vez ouvimos a voz do homem e sabemos que não é um filme mudo, apesar de ouvirmos seus ruídos anteriormente.
Ele recusa qualquer ajuda até que a mãe diz que troca a comida dele por sexo com sua filha. E com muito cuidado ele as convida para sua casa, ele as revista, dá comida e dorme com a mulher mais nova.
Ele vive sozinho em seu mundo particular, apenas com as memórias que o atormentam. E a possibilidade de ter mais 2 pessoas para dividir o pouco que tem é impensável, ainda mais quando antes de mais nada ele tem a espingarda sempre pronta em sua mão.
Um mundo onde 1 tem que virar 3 e depois virar 2 para virar 3 de novo é a grande tarefa desse homem solitário.
Não sei se esse filme seria tão especial quanto é sem a rigidez, sem a mão firme que mostra ter seu diretor e também roteirista, o irlandês Stephen Fingleton.
The Survivalist é uma obra de arte num mundo de filmes rasos, fáceis e previsíveis.

