Laerte-se é o primeiro documentário brasileiro produzido pela Netflix.
Laerte-se conta um pouco da história da cartunista transgênero Laerte, mostrando como ela está hoje em dia e como ela vem lidando com sua transformação.
Laerte-se é o pior filme possível com a melhor personagem possível.
Na escola, na primeira aula, a gente aprende que para se fazer um bom documentário é preciso, antes de mais nada, achar uma boa “personagem”.
A Laerte é a melhor das personagens.
Uma das maiores cartunistas e artistas do Brasil, Laerte era homem e alguns anos atrás começou a sua jornada transgênero e hoje em dia é uma bela duma mulherona.
Só que o filme… Ah, o filme. O que custava colocarem uma equipe que entendesse o mínimo de cinema ou de tv ou de gravação de festa de casamento, pelo menos, para fazerem o filme.
Durante duas horas eu fiquei o tempo todo distraído da história maravilhosa da cartunista por causa de câmera tremendo, câmera apontando pra onde não deveria, enquadramento tosco e daí pra frente.
Tá bom, na mesma primeira aula a gente aprende que em documentário o conteúdo é 99% do filme, que a forma nem sempre é importante. Só que as diretoras de Laerte-se não precisavam exagerar.
O conteúdo é o melhor possível e por isso parece que a forma foi deixada totalmente de lado.
É complicado você ter uma bela de uma história e não saber contá-la. Na verdade, seria lindo se alguém ali se ligasse que o filme estava ficando ruim e pedisse ajuda aos universitários.
Apesar de todos os pesares, e olha que os pesares são quase infindos, assista Laerte-se e fique embasbacado com uma lição de vida única e exemplar.

