Antigamente, quando ia-se elogiar alguma coisa ou algum lugar, dizia-se que tal coisa “não está no mapa”.
City 40 é um documentário sobre Ozersk, uma cidade russa que literalmente não está no mapa.
Ozersk é um cidade que foi criada no final dos anos 1940’s como berço do programa nuclear da antiga União Soviética e ficou conhecida como o cemitério da Terra.
Apesar disso, como as autoridades costumam dizer, a cidade é um paraíso, com ruas tranquilas, taxa zero de criminalidade, supermercados lotados de comidas com as melhores opções , como diz um entrevistado do filme, Ozersk é uma cidade intelectual.
Os primeiros moradores da cidade que não existe foram cientistas, engenheiros nucleares e funcionários de altas patentes do governo soviético.
Com o passar do tempo, as pessoas foram criando famílias que lá moram até hoje, famílias que são “desaconselhadas” a saírem de lá e isso quer dizer, praticamente proibidas de deixarem o local. E quando isso acontece, tem sempre um agente secreto, hoje russo, no encalço dessas pessoas, mesmo que seja quando elas vão passar um fim de semana de férias em outro lugar.
Ozersk é o lugar da Rússia onde os estão seus maiores segredos nucleares. Assim, como dizem no filme, todo mundo que lá vive sabe de algo que não se deve dividir com quem não interessa.
City 40 foi feito totalmente escondido, depois de muito tempo de produção e criação de possibilidades para que isso acontecesse. E o filme acompanha uma advogada de direitos humanos que lá vive com seus filhos, sem marido e sem família, exatamente por seu trabalho que vai contra o “estipulado” para quem por lá vive.
Além disso, o filme mostra o quanto a ignorância em relação a testes nucleares e como a manipulação dos plutônios da vida detonaram muita coisa por aí.
No fim das contas, a cidade parece um campo de concentração, um gulag, rodeada por muros e bem fortificada, onde sair ou entrar de lá não são opções fáceis.
O filme tá na Netflix e super vale a pena.

