Tudo o que você, espectador voraz de cinema ou televisão ou série, já viu até hoje pode mudar a partir do momento que seus olhos e ouvidos e cérebro fizerem contato com o episódio 8 da terceira temporada de Twin Peaks.
Que David Lynch é um dos maiores artistas vivos ninguém tinha dúvidas.
Sua obra cinematográfica e televisiva e esotérica são a prova viva de que o cara criou um universo particular e que esse universo não é qualquer coisa que encontramos no nosso dia a dia e que mesmo para um mundo absolutamente bizarro como esse que estamos vivendo em pleno 2017, o que vem com a assinatura Lynch é sempre o melhor dos presentes, para dizer o menos.
25 anos atrás o cara revolucionou a televisão como a conhecíamos com a história da cidadezinha no meio do nada que era abalada pela morte de uma garota acima de qualquer suspeita e que no final era só a ponta do iceberg de um mundo totalmente bizarro.
25 anos depois, como prometido na série, ele volta com esse universo bizarro só que 25 anos “pior”. Ou melhor.
Os últimos anos em nosso planeta azul se mostraram acima de qualquer previsão.
Nostradamus deve estar estarrecido, onde quer que esteja.
Não viramos os Jetsons e estamos nos encaminhando cada vez mais para uma idade de obscurantismo.
E esses detalhes são importantes para tentar perceber onde Twin Peaks foi parar nessa narrativa tão particular e tão “fora do quadrado” como vimos nos primeiros episódios dessa terceira temporada.
Eis que essa semana nos deparamos com o oitavo episódio da terceira temporada de Twin Peaks e, cara, segura!
Nada, repito, nada será como antes.
Nem na série, nem no que virá na tv e nem na sua vida.
O impacto do que Lynch nos apresentou é gigante. É momento único.
É presenciar a arte e a história sendo escritas e é hora de se sentir feliz por estar vivendo esse momento.
Certeza que daqui uns muitos anos todo mundo vai se lembrar onde estava quando viu o EP8 e vai contar pros netos com orgulho, eu estava lá.
Depois de criar os melhores climas com as melhores bandas ao final de cada episódio dessa temp3, Lynch praticamente começa o episódio com um Nine Inch Nails ao vivo pra mostrar pra todo mundo que sim, ele é fodão e faz o que quer.
Mas daí teve o que talvez seja a sequência mais linda das séries de televisão, a sequência da bomba atômica.
Não adianta eu ficar enumerando tudo o que teve de lindo nessa 1 hora de deleite televisivo, o melhor é você assistir, prometo.
E não, nada disso é spoiler, nada do pouco que eu disse vai estragar o seu deleite.
Lynch deve rir quando alguém pergunta pra ele de spoiler, o mestre do suspense no primeiro ano de Twin Peaks quando fez um país parar para saber quem matou Laura Palmer.
Lynch, que homão da porra!

