“And the Oscar goes to… Dunkirk!”
Aposto a unha do dedinho do pé esquerdo que essa vai ser a frase mais repetida na entrega dos Oscars o ano que vem.
E claro, nas entregas de tudo quanto for prêmio de cinema daquelas plagas, de Globo de Ouro pra cima.
O novo filme de um dos meus heróis, Christopher Nolan, é inacreditável.
Sério.
Dê o play nessa música da trilha do filme pra ler o resto, por favor.
Durante o tempo que lia sobre os planos desse filme novo, sobre a filmagem, sobre o Harry Styles do One Direction ser um dos atores, confesso que fui ficando com preguiça, principalmente porque fiquei pensando “porra, mais um filme sobre a Segunda Guerra, mais um filme com um monte de soldado morto, com um monte de vilão nazista”.
Uma vez li alguém bem interessante falando que depois de Apocalipse Now nenhum outro filme precisava ter sido feito sobre a Guerra do Vietnã.
Agora afirmo que depois de Dunkirk, os caras vão ter que rebolar pra fazer bom sobre o período.
O filme conta a história de um incidente menos famoso, a Operação Dínamo, onde o então primeiro ministro inglês Churchill e sua equipe resolvem de forma genial como resgatar quase 400 mil soldados aliados que estavam encurralados na cidade francesa de Dunquerque e prontos para serem dizimados pelos soldados nazistas.
Eu não conhecia a história e se você não conhece, sugiro que vá ver o filme sem saber detalhes, porque a cena que a parada toda se “resolve” é de arrepiar o corpo inteiro.
Todos, mas todos mesmo, louros a Dolan, que também como roteirista, teve a brilhante ideia de contar esse evento em 3 tempos: um confronto no céu que dura 1 hora, onde pilotos de aviões ingleses comandados pelo personagem de Tom Hardy (que, aliás, aparece de rosto coberto o filme inteiro dentro da cabine do avião), precisam destruir os aviões nazistas que bombardeiam a praia francesa onde os soldados estão à espera de salvação; 1 dia em alto mar, onde o “capitão” inglês vivido pelo magnífico Mark Rylance, tenta atravessar o canal da Mancha para ajudar como pode; e 1 semana na praia francesa, onde quase 400 mil soldados estão encurralados esperando a salvação inglesa vinda do mar ou os nazistas se aproximando pela terra, quem chegar primeiro, mostrada a partir do ponto de vista de um soldado inglês (Fionn Whitehead), que aliás, nos primeiro 5 minutos de filme já mostra a que veio em um plano sequência de chorar, quando ele corre para a praia, com a câmera na sua cara, nos mostrando o que ele sente quando acha que escapou dos nazistas.
Na verdade ali é Nolan mostrando a que veio.
O roteiro mistura os 3 tempos brilhantemente fazendo com que a história tenha ainda mais emoção e tensão.
Apesar disso tudo, o que dá emoção, tensão, alegria, tristeza e eu acho que acabou virando o personagem principal do filme é a trilha sonora de Hans Zimmer.
Eu vi o filme ontem a noite, então a bola já baixou e eu ouso afirmar que a trilha de Dunkirk talvez seja a melhor trilha de todos os tempos. Claro que eu posso me arrepender disso que escrevo, vão me xingar, mas eu hoje, tenho certeza disso.
Pra mim, fazia tempo que eu não ouvia uma trilha como parte tão importante do filme, tão integrada à história, tão fio condutor em momentos chaves do filme.
Zimmer usa tudo o que pode para ajudar Nolan, desde o velho truque de começar usando ruídos das cenas que viram ritmo e depois melodia e quando nós menos esperamos já virou a trilha da cena, até em momentos que ele mesmo insere sons nas cenas que não existiriam mas que reforçam o contar da história e então, bahm!, a trilha está feita.
Nesses tempo de novas nomenclaturas surgindo a torto e a direito, vou ousar um pouco mais e dizer que Zimmer criou a Pós-Trilha.
Tô dizendo, estamos vivendo um momento importante no cinema com essa trilha, um momento de antes e depois.
Vá ver Dunkirk, vá ver em uma tela grande, vá ver bem barulhento e prepare-se para se arrepiar muito.
P.S. – o filme é bom para caralho mesmo sim e tal, mas assistir bem acompanhado melhora e muito a experiência. Recomendo.

