Una é um filme difícil.
Tem uma história complicada, com um tema difícil e tem uns 20 minutos mais do que deveria, o que o deixa quase difícil de assistir.

Una é uma mulher de 28 anos de idade (vivida pela cada vez mais absurda de boa Rooney Mara) que, 15 anos depois de ser abusada sexualmente repetidas vezes pelo melhor amigo de seu pai, encontra o crápula e tem uma longa conversa com ele, que dura o filme inteiro.
Ficamos sabendo que ela, com 13 anos de idade, apesar do estupro e do abuso, ela sentia que estava apaixonada por ele.
E esse encontro que ela tanto quis, desde sempre, vai servir para ela entender porque ele “a abandonou” e como o que aconteceu acabou com a vida dela de todas as formas possíveis.
O filme mostra o estupro e o abuso e a pedofilia de uma forma inquietante, incômoda, como algo não tão horrível ou repudiante. A menina de 13 anos se encanta com um homem pelo menos 25, 30 anos mais velho que ela e se deixa levar. Ele aproveita a situação e faz sexo com ela na primeira oportunidade que tem. E em várias outras também.
Mas ele não é o cara malvado e filho da puta com cara de tarado que a gente espera de um estuprador pedófilo.
Ele era o amigo do pai, bacana, que ia aos churrascos e convivia com a família toda.
Rooney está bem pra caralho como a mulher que espera respostas, amargurada, séria e contida, que de vez em quase nunca solta um sorriso e que pra mim, faz um grande diferença, cada vez que via no filme.
O cara que faz o estuprador, Ben Mendelsohn, tá muito bem também, mostrando o que eu tenho dito ultimamente sobre vilões que não são monstros apenas, mas gente normal que tem um lado do mal pior que o nosso.
O filme trata a pedofilia de uma forma que talvez seja um pouco até condescendente. Mas eu posso estar sendo um pouco preconceituoso aqui, porque pra mim isso é o pior dos “pecados” que um adulto pode cometer. Não me conformo com pedofilia e ponto final.
Uma outra coisa que me incomodou no filme é a forma como a história é contada, como o roteiro foi construído. Achei meio bizarro demais o filme quase inteiro se passar onde se passa. Se existia alguma metáfora ali, eu não entendi.
Pena.


Um pensamento sobre “215/365 UNA”