Assistir mais um documentário sobre a tragédia que se abate sobre a Síria, essa guerra horrorosa, é sempre um ato de chorar copiosamente.
No caso de Last Men In Aleppo, foi passar quase 2 horas tenso, chorando, emocionado, triste, com o coração arrebentado e torcendo por quem ficou por lá, os últimos fortes.
Quer ver filme de super herói?
De super herói de verdade, da vida real?
Achou!
O filme é maravilhoso, o melhor documentário que vi, melhor ainda que o dos Capacetes Brancos, que já tinha me deixado de quatro.
Last Men In Aleppo conta as histórias de alguns dos últimos homens (e suas famílias) na cidade de Aleppo. Os caras que saem correndo a cada estouro, explosão, ataque, bomba para tentar salvar quem precisa ser salvo.
O filme mostra que esses caras, alguns deles capacetes brancos também, não querem sair da cidade, eles dizem que lá é o seu lugar, a verdadeira resistência.
Eles dizem que preferem ficar perto dos seus filhos e famílias, mesmo correndo todos os riscos a cada ataque de seu presidente ou da Rússia, ou dos EUA ou do Isis.
É um sentimento bem grande, um amor maior que todos, porque na verdade eles poderiam tentar ir pra Turquia ou pra Europa, mas esses caras são conscientes de que provavelmente eles sofreriam ainda mais se o fizessem.
O filme me deixou tenso o tempo todo.
A cada corrida de carro desses heróis, indo para algum prédio explodido, tentando tirar pessoas dos escombros e muitas vezes chegando tarde demais, a gente fica ao lado deles, na cara, pertinho mesmo, sentindo quase o que eles sentem.
Claro que não exatamente, porque eu percebi que a guerra e a tragédia criou uma armadura ou uma carapaça nesse homens, deu uma força extra para eles aguentarem o dia a dia horrível que eles vivem.
E assim, com essa força, eles tentam montar tanquinhos para peixinhos em lugares que eles tentam transformar em praças com novas plantas também. E dizem que se eles não aproveitarem as praças, a próxima geração vai.
Uma sequência linda é desses homens e suas famílias indo brincar numa praça, num dia de trégua. Coisas tão simples e que acabam tendo um sentido tão enorme, diferente do que seria por aqui.
O “problema” do filme é que a gente sempre fica esperando o pior, esperando que uma bomba caia na cabeça deles a hora que estão sendo filmados, de tão tensa que é a situação toda.
Problema, claro, entre aspas, porque problema é o que acontece lá.
Quer filme de super herói?
Assista esse.
Imperdível, um dos melhores do ano.


2 pensamentos sobre “231/365 LAST MEN IN ALEPPO”