Ah que filmaço!
O último filme do grande diretor polonês Andrzej Wajda, que morreu meses depois de seu lançamento em festivais é um dos grandes do ano.
O filme conta a história de uma dos maiores artistas poloneses, Wladyslaw Strzeminski, que passou de o grande artista vivo do país no pós guerra ao traidor do realismo social imposto pela União Soviética aos países que faziam parte da Cortina de Ferro.
Strzeminski era reverenciado por sua filosofia em criar uma arte com identidade polonesa. E fazia isso depois de ter sido assistente e trabalhado com artistas mundialmente renomados como Marc Chagall.
Ele tinha uma particularidade também, não possuía uma perna e um braço. E mesmo assim se esforçava e criou uma forma de viver e trabalhar e criar e ensinar como se nada de errado ele tivesse fisicamente.
Era tão amado e idolatrado por seus alunos que muitos deles o acompanharam e o apoiaram em seus dias de exílio em sua própria casa e cidade e país.
Seu grande problema de vida no final foi ter batido de frente com a filosofia e política, claro, soviéticas.
Por não concordar com a forma como deveria se comportar, primeiro foi mandado embora da universidade que lecionava e que ele mesmo tinha criado com outros artistas.
Por isso não tinha mais salário e nem vale refeição, numa época comunista de racionamento.
Depois ele teve a sua “carteirinha de artista” caçada pelos comunistas e assim não conseguia trabalhar. E também teve seu nome colocado em uma lista negra, obviamente.
Fumante inveterado e contumaz, sua saúde foi se deteriorando e ele não conseguia mais cuidar de sua filha adolescente que foi morar com ele, depois que sua ex esposa faleceu.
Aos trancos e barrancos ele ia tentando se manter são numa cidade que o evitava como o diabo a cruz. E aos poucos foi se debilitando até que uma tuberculose o tirou de vez do jogo todo.
Wajda conta essa história com um carinho e uma delicadeza que impressiona em todos os 100 minutos de filme.
Um belo filme para encerrar com chave de ouro uma filmografia tão forte e importante como a do mestre Andrzej Wajda.

