252/365 BEATRIZ AT DINNER

Tanta coisa pra falar desse filme que eu nem sei por onde começar.

Primeiro: Beatriz At Dinner é o filme onde a Salma Hayek finalmente diz a que veio. Depois de um monte de quase bons filmes em sua carreira, Salma tem em mãos uma personagem com a qual mostra toda a sua versatilidade de uma vez.

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Dito isto, Beatriz talvez seja o filme que acabe com as sutilezas e a metáfora no cinema.

Em tempos lindos onde temos cada vez menos bandidos e mocinhos no cinema, onde os vilões também são mostrados com alma e profundidade e família e até amor e os mocinhos são vividos como pessoas que também erram e fazem merda, este filme tem a manha de separar tudo de novo.

Além disso, Beatriz tem um roteiro tão cara de pau na falta de sutileza que eu fiquei impressionado, achando até um ponto positivo no final.

Salma é Beatriz, uma mulher tão fofa que cria cabras de estimaçnao dentro de sua casa para não incomodar os vizinhos. Ela é um mexicana nos seus 40 anos que vive em Los Angeles desde os 13 (e mesmo assim não perdeu o sotaque carregado). Ela aprendeu ao longo de sua vida a ser uma curandeira, dessas bem badabauêra, que sabem de tudo e fazem de tudo e ajudam muito as pessoas.

Resumindo, ela é o cúmulo da mulher bacana.

Um dia, ao atender uma cliente milionária em casa, seu carro quebra e ela não tem como ir embora, porque a mulher mora bem e Beatriz mora no subúrbio, claro. Então a mulher a convida para ficar em casa e participar de um jantar que seu marido vai dar para uns amigos, sendo que um deles é um multi milionário escroto mas vivido tão lindamente pelo fodão John Lithgow que eu até me simpatizei com ele.

Aí está o fim das metáforas e das sutilezas que disse, essas duas personagens tão opostas no espectro passando uma noite juntas em um jantar onde esses riquérrimos falam de empreendimentos que vão acabar com uns pássaros quase em extinção, ou sobre lixo de um shopping a ser construído que vai acabar com um rio ou sobre matança de rinocerontes num safari na África do Sul.

Tudo na frente da fofa e pobre e coitada e sofrida Beatriz que, claro, não segura a onda.

A chamada do filme é ótima: Beatriz é convidada mas não é bem vinda.

Desde o início a gente já sabe que Beatriz ficando para o jantar vai dar merda de alguma forma, mesmo que as intenções da “amiga” que a convida para ficar sejam as melhores. Na verdade, logo que ela a convida, dá uma olhada no figurino da mexicana e pergunta se ela está confortável, se não quer uma roupa emprestada para trocar.

Beatriz, uma mexicana, morena, baixinha, simplesinha é jogada na toca dos leões onde 3 casais americanos, loiros, altos, bem vestidos, sabendo dos drinques que pedem e da comida que vão comer.

Beatriz é fofa, fala baixo, conta histórias, mas atrapalha as conversas, atrapalha os empregados da casa, aliás com quem é confundida em um primeiro momento por Lithgow e sendo salva pelo anfitrião do jantar, acaba quase que o ofendendo, claro, sem querer.

O filme tem sido muito bem comentado, mas eu ainda não sei se gosto ou não.

Eu gosto do fato de ver Salma quebrando tudo, atuando de verdade, sem caricatice e sem maquiagem, dando a cara à tapa.

E eu gosto muito da trilha do filme, muito bem colocada.

Mas um truquezinho na reta final do filme me deixou tão com raiva, que ainda não sei.

Vamos ver se mais alguns dias me fazem gostar ou odiar de vez.

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