Ontem eu falei do documentário da Whitney Houston e uns amigos comentaram sobre outro que está na Netflix, sobre o super ator pornô italiano Rocco Siffredi.
Já amo documentários, um sobre um dos maiores e mais conhecidos atores pornôs de todos os tempos corri pra ver.
Que falta faz um bom diretor e um bom roteirista.
O material desse filme é muito bom, a premissa é muito boa, mas parece um daqueles filmes da Vice sem muito sentido.
Rocco tem a premissa de mostrar-nos a alma de Siffredi, como ele mesmo diz no material promocional: vocês sabem tudo de meu corpo mas nada de minha alma.
A partir disso, o filme mostra um ator pornô, não mais no auge de sua carreira mas ainda muito conhecido e reconhecido na indústria pornográfica, ainda trabalhando, ainda filmando e se preparando para sua aposentadoria já que ele mesmo acha que com 50 anos ele não deve mais fazer filmes.
Rocco nos mostra sua família, sua esposa, como ela lida com um marido ator pornô. Mostra seus 2 filhos adolescentes e tenta tirar algo deles sobre o pai e não consegue muito. Nos mostra, nas palavras do próprio Rocco, como ele cresceu, como ele se relacionou com sua mãe, como uma família italiana aceitou sua “vocação” e como essa família ainda faz sentido para ele hoje em dia.
Ele conta histórias, conta como começou, como já transou com uma mulher de 80 anos de idade amiga da mãe, como sempre transou com todo mundo, como ele é um pornógrafo, como ele só pensa em sexo, como ele é violento no sexo, como ele fazia pra transar um momento de sua carreira que ele resolveu dar uma parada com os filmes.
Só que tudo isso é muito bonitinho, muito chapa branca, muito ele falando dele mesmo, não tem nenhum contra ponto, ninguém mais fala dele no filme, além da esposa por uns parcos 5 minutos.
Não adianta colocar Rocco falando que ele é um coitado, que ele virou um personagem porque nós que consumimos pornô o tornamos esse super homem. Ou ainda ele dizer que ele tem fama de mal porque ele gosta de maltratar e dominar as atrizes de seus filmes.
Tadinho, né?
O longa parece um making of do último filme de Rocco, o que seria seu canto do cisne e pra ser sincero, as sequências dessa filmagem são a grade coisa de Rocco.
Se você sentir preguiça ao longo do filme, respire fundo e aguarde porque a coisa é linda.
O filme pornô, quando tirado de contexto de alguma forma, é uma coisa linda.
Nesse caso, as cenas mostradas não são obviamente as cenas de sexo, mas sim partes delas, com uma música erudita como trilha e muito slow e muito close que, de novo, tiram a putaria de contexto e, num filme bem feito, seria a chave de ouro.
Mas no Caso de Rocco é uma sequência que fica até estranha, meio que um lampejo de beleza num filme que fica tentando atingir uma profundidade linda que o tema proporciona mas que não sai de uma superfície quase anódina.

