260/365 BINGO – O REI DAS MANHÃS

O que mais me impressionou em Bingo – O Rei das Manhãs é ver que o filme é um dos poucos brasileiros sem ter uma “obrigação”. E incrível ser essa a crítica de alguns figurões do jornalismo brasileiro em relação ao filme.

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No cinema brasileiro, meio que por uma síndrome de vira latas ou por causa de culpa por gastar dinheiro com cultura e não construir hospitais, parece que todo filme precisa ter uma função social, por menor que seja.

Bingo não tem.

É um filme que não tem porquê.

E isso é bom.

Bingo é um belo filme sobre a história de um ator de pornochanchada, malucão, cheirador de cocaína que acaba virando um apresentador de programa de televisão infantil nos anos 1980’s, contra tudo e contra todos.

Só que ele vira apresentador travestido de palhaço, o palhaço mais famoso de então, que além dele, foi vivido por outros atores e como ninguém sabia quem era quem por trás da maquiagem pesada, a fama de cheirador doidão era dispersa.

O cara fazia sucesso, ganhava dinheiro, pirava cada vez mais e ainda sofria porque, apesar de famoso, ninguém sabia quem ele era. E ninguém podia saber.

Os loucos e inconsequentes anos 1980’s foram o palco ideal para que essa história bizarra acontecesse. Numa época onde o politicamente correto não existia, ele fazer piada com porre, drogas e sexo num programa infantil no SBT são coisas impensáveis nos dias de hoje.

Duvida? Procure mais vídeos pelo youtube.

Bingo, o filme é ótimo.

Bem escrito, bem dirigido e com um elenco afinadíssimo onde Vladimir Brichta se destaca no papel principal.

O meu choque é saber que um filme, que não tem nada de genial, é um filme bem feito na mais óbvia fórmula cinematográfica, com apresentação, ascensão e queda do herói, causa tanto auê. Essa deveria ser a fórmula usada em tudo quanto é filme brasileiro meia boca que não serve pra nada, deveria ser o padrão.

Triste o cinema no Brasil, mas um dia a gente chega lá.

O filme é o brasileiro escolhido para tentar uma indicação ao Oscar de filme em língua estrangeira e, claro, minha torcida vai pra ele.

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