Se o Sartre, ao invés de escrever tivesse sido cineasta, provavelmente teria feito esse filme.

Outro que também poderia ter feito A Ghost Story é o mestre Abbas Kiarostami, lá no fim dos anos 90, na época de ouro do cinema iraniano.
A Ghost Story é um dos filmes que mais cumprem o que prometem em seu título: é a história de um fantasma.
Não é a história da casa assombrada pelo fantasma, ou da família assombrada pelo fantasma, ou da mulher que perdeu o marido que virou o fantasma nem nada disso que já vimos milhões de vezes no cinema.
A Ghost Story é a história de um fantasma.
E o típico fantasma que não nos mete medo, o fantasma do lençol branco.
O filme começa com um casal vivido pela Rooney Mara e pelo Casey Affleck.
Eles moram juntos, brigam, conversam, transam e ele morre num acidente de carro.
Ela vai ao necrotério reconhecer o corpo do marido naquelas cenas típicas onde a médica levanta o pano branco, ela reconhece, pede um tempo sozinha, fica por ali uns minutos e vai embora.
Só que continuamos vendo o cadáver lá deitado até que ele se levanta, com o lençol que o cobre, como um bom fantasma que ele agora é.
Quando eu achava que agora o filme iria focar na viúva Rooney em casa, chorando e sofrendo e se reerguendo após a perda do marido, ledo engano: o filme mostra o fantasma chegando em casa e foda-se a viúva.
A partir daí o foco é a alma penada ali, sempre ali, sem função, sem sentido, apenas apagando e piscando umas luzes de vez em quando.
Só pela premissa mais que original de todas, A Ghost Story já era um querido antes de vê-lo. E agora tenho certeza que é um dos filmes mais legais do ano.
O grande responsável pelo filme é o diretor e roteirista David Lowery, que teve uma ideia, chamou 2 atores de nome amigões e fez um indiezinho bem baratinho (o filme custou US$ 100 mil) que deu muito, mas muito certo.
O filme não é facinho, não é terror, não é drama, não é a comédia romântica triste, não é nem pós terror, o roteiro é bom mas nada quase acontece.
Eu o classificaria como um poltergeist iraniano ou um filme existencialista francês dos anos 1960’s de viagem no tempo.
E tudo isso faz de A Ghost Story um puta filmão.


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