Não sei nem por onde começar a falar da porcaria que é Gaga: Five Foot Two, o documentário da Netflix sobre Lady Gaga.
Vou começar da conclusão: Lady Gaga é a maior truqueira do mundo pop atual.
Depois de anos numa decadência sem fim, ela resolve produzir um documentário sobre sua vida e sua arte, para mostrar pra todo mundo que ela é uma pessoa normal, gente como a gente, que sofre, que chora (muito) (e sem lágrimas, geralmente), que tem dores, que tem rios de dinheiro, que ama seus monstrinhos, que é bacana e tira fotos com todo mundo, que escreve as letras de suas músicas, que toca piano, que canta e que faz o que quer, quando quer, como quer.
Por causa disso tudo cheguei à conclusão que Gaga como cantora é uma atriz de quinta.
Nada no filme, nada, nadinha mesmo, me fez acreditar que tenha sido gravado no calor do momento, como todo bom documentário deve ser.
As cenas são tão ensaiadas, ela é tão cara de pau, sabe exatamente quando olhar para a câmera e pra que lado tem que se virar pra um momento dramático mais eficaz, que dá até nervoso.
Aos 20 minutos de filme ela já tinha contado toda a história do porquê deste filme estar sendo produzido.
Daí passamos a próxima 1 hora e 40 minutos sendo bombardeados por situações patéticas dela em sessões de massagem dizendo que tem dores pelo corpo e que não sabe como as pessoas comuns sobrevivem sem um séquito de massagistas, secretária trazendo água, assistente trazendo toalha, outra assistente amarrando o roupão e aspones dizendo que ela vai melhorar e que a dor vai passar e que ela é o máximo.
Tadinho do povão, né?
Dor nas costas deveria ser privilégio dos milionários popstars.
Concordo com você, Lady.
Ela tem a cara de pau de ter uma reunião à beira da piscina de sua casa com mais 3 pessoas para resolver o que será o figurino dessa próxima fase de sua carreira, que ela está cansada de se mostrar como uma malucona high fashion com máscaras e vestidões e montações. Daí chegam à conclusão que agora ela é básica, shortinho jeans de bunda de fora e camiseta branca rasgada com os peitos aparecendo por baixo.
Só que no meio da discussão ela diz que está incomodada e fica de peito de fora, porque, né, ela tá à beira da piscina de sua casa de Malibu riquérrima e pode tudo.
Tosca.
Outra sequência triste é Lady e seu séquito indo a um Wal Mart no meio da noite, quando seu novo cd é lançado, para ver se tem pra vender lá. Eles pegam vários cds e colocam todos num lugar de destaque da prateleira enquanto esperam o gerente para saberem se tem mais cds para serem vendidos.
O foda é que nem gerente, nem funcionários, nem ninguém da loja a reconhecem e só pedem para tirar foto depois que ela diz ser a famoséeeeeeerrima Lady Gaga, a do cd.
Daí vai embora, mas antes pega sacos de salgadinhos e 2 cds e paga tudo no caixa e ainda é elogiada por um dos seus aspones porque passou no caixa express. Que mulher!
No meio disso tudo vemos as sessões de gravação de seu último cd, ela em estúdio com o produtor Mark Ronson, grande culpado pelo fracasso do disco, não culpemos só a fofa. No estúdio ela fuma, bebe, grava, repete, escreve as letras das músicas, tem ideias para as melodias e fala mal da Madonna.
Tadinha da Lady, só porque a Madonna falou mal dela por aí e não teve a manha de falar na cara dela. Gaga diz que se fosse o contrário, iria até onde a Madonna estivesse e falaria na cara, para não virar fofoca.
Isso tudo numa cena onde ela conversa com um músico que participa da gravação de seu cd só que o músico nem seque é devidamente enquadrado na cena, mal ouvimos o que ele diz e só vemos que ele tá ali concordando com a patroa. Sorte dele.
Os micos são infinitos, um atrás do outro, como a cena de uma fã que é chamada para dar um depoimento sobre Gaga e no fim se encontra com a fofa que está escondida no estúdio e se emociona e fala o quanto Born This Way é importante para ela.
A fã lá fofa demais, se debulhando e a Gaga sendo super educada mas totalmente mecânica e burocrática num cena que poderia ser uma redenção mas não. No fim, com a menina já longe, Gaga ainda grita pra algum aspone anotar o nome da coitada e mandar ingressos pra algum show.
Sorte que não foi do Rock In Rio, né.
O que me deixa abismado é ler que as pessoas caem nessa armação toda.
Povo falando que chorou o filme inteiro. Só se for de pena dela, uma perdidinha procurando atenção e se mostrar da forma mais besta de todas.
Se vai fazer um documentário, tenha culhão tipo a Madonna que fez um filme mostrando o quanto ela era porra loca ao mesmo tempo que era responsável e séria no meio de sua turnê.
Gaga fez um filme para mostrar que ela é uma fofa, de família, bem nascida, bem criada e chegamos à conclusão que toda essa história dela vem de muito estudo, muita pesquisa, muito contato bom.
Certa ela.
Mas nem me venha colocar no filme a sequência toda dela mostrando para sua avó, bem velhinha, mãe de seu pai, a música que escreveu para sua tia Joanne, que morreu aos 19 anos de idade e que é a inspiração desse álbum. Ela tentou e tentou que a avó se emocionasse muito com a música e no fim Gaga força uma barra porque não rolou essa emoção desejada e tão importante cinematograficamente.
Daí pra mostrar que é malucona, ao sair entra no carro e diz que vai fumar maconha do carro do avô.
Nossa! Que drogadona!
E assim vai o filme, até mostrar o que Gaga diz ser o ápice de sua carreira, sua apresentação no Superbowl, onde ela diz que vai fazer o contrário do que todo mundo espera que ela faça.
Esse final de filme é talvez a única parte que eu acreditei nela, em seu nervosismo, na tensão pré espetáculo e quando ela diz para seu empresário que aquele é o maior momento de sua carreira, que ela não sabe o que faria depois.
Gaga, te entendo quando você cancelou o RIR e disse que vai ficar uns 2 anos parada pra repensar em tudo.
Fique mesmo e tomara que você volte outra.
E assista esse seu doc porque é uma mostra do que você deveria arrumar pra começr tudo de novo.
Pra terminar: alguém me explica a inspiração Cerveró nesse poster do filme? Obrigado.


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