Por onde começar a falar (mal) de Mãe!, o novo filme do mais equivocado e pretensioso diretor americano dos dias de hoje, Darren Aronofsky?

Antes de mais nada eu preciso falar bem de Darren.
Eu gosto muito, mas muito mesmo de 3 filmes dele.
Pi, seu primeiro filme, low budget, P&B, insano e noiado é meu preferido.
Réquiem Para Um Sonho também noiado, estranho, mais noiado ainda e muito bem dirigido é um absurdo de bom.
E Cisne Negro é uma aula de direção de ator e de cinematografia.
Puta filme de verdade.
Mas pela minha teoria, o próximo filme dele deve ser bom.
Essa teoria é que ele faz 1 filme bom e dois filmes ruins, na sequência. Daí um filme bom de novo e assim por diante.
Sem contar com Pi, que é o primeiro, indie, fora da casinha, comecemos com Réquiem Para um Sonho, ótimo filme.
Depois fez Fonte da Vida e O Lutador, duas porcarias.
Daí fez Cisne Negro. Fodão.
Depois fez o pior filme de todos, Noé e agora Mãe!, um engodo.
O próximo ele acerta.
Ou não.
Veremos.
Na verdade ele tem produzido filmões, alguns como Jackie, que ele ia dirigir, acabou contratando o hermano Pablo Larraín pra dirigir e deu no que deu.
Mas voltando à Mãe!, que filme porcaria, que desperdício.
Ele fez um filme de terror com um monte de dinheiro e de ideias boas, mas totalmente perdidas.
E não, ele não é o novo Lynch, nem o novo Buñuel nem o novo malucão surrealista do cinema americano.
Mãe! é um filme sem pé nem cabeça e por isso eles estão tentando vender o filme como surreal ou pós terror pra justificar o engodo.
Em tempos de Yorgos Lanthimos, é melhor que os diretores vejam e revejam suas ideias surreais.
Darren teve várias ideias, todas ligadas à tradição católica e quis juntá-las para tentar contar uma história de amor dos infernos, mas queridão, errou na mosca.
O filme pode ser dividido em várias partes que, se analisadas separadamente, dariam bons curtas. Mas ao juntar tudo, que bobagem.
Mãe! conta a história de um casal (sem nome), ele (vivido por Javier Barden, que está tão canastra como sempre) é um escritor/poeta super super famoso em crise de criatividade que mora com sua jovem esposa (Jennifer Lawrence) em uma casa maravilhosa no meio do nada, longe de tudo e de todos. Ele tenta o tempo todo escrever e ela restaura a casa, depois de um incêndio que a colocou no chão.
Um dia bate à porta um homem (Ed Harris) que chega lá por acaso achando que é um hotelzinho e o poeta, muito solícito, deixa com que ele lá passe a noite, contra a vontade da esposa.
Eis que no outro dia chega a esposa doidona (Michelle Pfeiffer) de mala e cuia e lá acaba ficando com seu marido, sem mais nem menos.
Até aí imaginei que o filme tivesse uma vibe anos 60’s Buñuel, onde uma situação inexplicada acaba sendo o estopim pra outra(s) por vir(em).
Ele feliz com as visitas, ela super incomodada, coisas acontecem que não fazem sentido e não se explicam ou se justificam mais para frente.
Claro que nada necessariamente precisa seguir uma regra nas artes, mas cenas chaves e dramáticas e com muito destaque, geralmente estão num filme por uma razão.
Não é o caso de Mãe!.
A sucessão de cenas e sequências com o casal de visitantes acaba numa historinha bem boa e muito bem dirigida mas que ao fim me deixou pensando: e aí?
Parece que o filme termina ali aos 40 e poucos minutos e então um novo filme se inicia.
E pouco do que vimos antes, a não ser por detalhes com os 2 protagonistas, “servem” para o que está por vir, que é o caos na terra.
A partir de então ela fica grávida e ele escreve o maior poema de sua vida, o que faz com que hordas de fãs e seguidores do poeta o tratam a partir de então como um messias, pra dizer pouco.
Eu juro que queria ter gostado desse filme, apesar de toda a campanha de marketing antes do lançamento ser meio errada, ao meu ver.
Mas não deu.
O filme é lindo esteticamente falando.
A fotografia do Libatique é uma aula de como usar câmera. ele é o fotógrafo de todos os outros filmes de Aronofsky e em Mother! ele usa o mesmo preciosismo usado em Cisne Negro para contar a história. Um absurdo de bom.
Outra coisa que é de outro mundo (ui!) é a trilha e o desenho de som de Mãe!.
Tudo tem um sentido maior do que o normal, nada é por acaso e os mínimos ruídos ajudam a muito a contar a história.
Pra terminar, no fim do filme, na última cena, eu ri muito de nervoso ao ver o spoiler que eles já tinham dado e nós só descobrimos ao ficar até o fim do filme.
Agora, pra ser sincero, gostei dessa nova jogada dos produtores de usarem as críticas negativas que o filme vem recebendo como “elogios” em novo poster que está ali acima. Tem o lado das críticas boas e o lado das críticas ruins. Mas em resumo, o filme diz mais pelo marketing todo do que pelo trabalho do diretor.
Darren, próximo, por favor.


2 pensamentos sobre “270/365 MÃE!”