281/365 BLADE RUNNER 2049

Blade Runner 2049 começa com o policial e andróide K (Bryan Gosling) encontrando um outro andróide que escapou “de ser terminado” anos atrás.

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K diz ao então fazendeiro de carne (que cria alho para consumo próprio) que viver mais do que deveria foi um grande presente que ele se deu, mas que tudo chega ao fim.

O andróide retruca e diz não entender como K pode fazer isso com um dos seus e completa dizendo que viver muito só valeu a pena por ele ter presenciado o milagre, que K nunca o entenderia e assim se deixa ser “apagado”.

Na minha opinião, o milagre é um filme como Blade Runner 2049 aparecer no meio de um turbilhão de porcarias acéfalas que nos consome 24 horas por dia. Sim, porque não somos nós que consumimos isso tudo. Hoje não percebemos mais o que fazem conosco e poucas vezes nos damos conta de um milagre quando aparece na nossa frente.

Blade Runner 2049 é a continuação do clássico dos clássicos da ficção científica, Blade Runner, filme de 1982 que foi amado por poucos em seu lançamento e que foi aos poucos ganhando o status merecido.

Naquele filme, o oficial Deckard (Harrison Ford) também perseguia andróides com a data de validade vencida (parece que esse é um problema de todo o sempre, gente com a data de validade vencida, que só atrapalha).

Enquanto ele os encontrava e os terminava, dúvidas iam surgindo até que ele mesmo começava a se questionar se ele mesmo não era um andróide e se ele mesmo não teria um Deckard qualquer um dia o terminando.

Em 2049 as coisas mudaram mas não muito.

A fome foi resolvida, os andróides já não se escondem mais porque são absolutamente mais parecidos com os humanos do que nunca.

Mas o que era chuva 30 anos antes, agora é uma neve intermitente na Los Angeles dos anos 2040’s.

O policial andróide de K também aos poucos vai se dando conta de que ele pode, como Deckard, ser alguém que ele nunca imaginou que fosse e aos poucos vai iniciando uma investigação sob o comando de uma Robin Wright mais fodona que nunca.

No futuro Blade Runner, aliás, as mulheres são muito mais fortes que os homens, muito mais inteligentes e fazem o que querem, quando querem, como querem, principalmente com o “tadinho” K.

Com a melhor concepção artística de um filme de muitos anos e nisso inlcuo direção de arte, cenários, figurinos, visuais, trilha e principalmente a fotografia assustadora de linda do mestre Roger Deakins, Blade Runner 2049 cumpre bem o papel de sucessor da grande referência que foi 25 anos atrás o seu predecessor.

Temos que estar preparados para muita publicidade e muito filme que pegará emprestado tudo de lindo que este filme entrega de bandeja.

Mas a melhor “retomada” do original neste filme é Harrison Ford.

Deckard volta à ativa com toda a sua estranheza peculiar mas aplacada por uma sabedoria alcançada por uma vida de pária e por ter vivido tudo o que viveu, como viveu.

E quando Gosling encontra Ford, tadinho, não sobra nada do bonitão de uma nota só.

Os detratores do Blade Runner original diziam que o filme tem pouca ação e muita enrolação, que a falta de roteiro é encoberta por um pseudo intelectualismo filosófico sobre o sentido da vida, sobre o que é viver e sobre estarmos necessariamente vivos.

Óbvio que essa é a grande pegadinha do filme, quebrar com o paradigma do filme de ficção científica raso de robôs perseguidos e dar-lhe uma outra aura, mais cabeça, como se dizia à época.

E sinto informar-lhes que Blade Runner 2049 sofre do mesmo mal. Quem esperava um filme cheio de mortes e andróides fodões e explosões vai ter a mesma sensação de estar vendo um filme “sem roteiro, onde nada acontece”, “que é muito longo”, apesar de todas as reviravoltas do roteiro inexistente.

Prepar-se (de novo) para ser arrebatado e deixe-se levar.

O diretor Denis Villeneuve, sob a batuta do mestre Ridley Scott, nos entrega cena após cena, sequência e mais sequência de poesia futurística que acelera nosso coração.

Um filme para ser sentido (como disse um amigo meu sobre outro filme esses dias) e um filme que nos leva a um universo que só existe ali, naquelas 2 preciosas horas que não serão nunca longas o suficiente.

Fique feliz ao sair do cinema por ter presenciado uma Obra de Arte do seu tempo (sim, seu, de você que está lendo), feliz por ter presenciado algo portentoso como esse filme, majestoso e unicamente visionário e inovador, algo que não veremos tão cedo nas salas de cinema. Não nesse porte.

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