Já disse em outro texto por aqui que o que eu mais gosto nos filmes coreanos e ver como os personagens são meio bobões, sorridentes, felizes, quase patetas.
Se essa fora a realidade por lá, juro que quero muito conhecer aquele país.
Esse filme não é diferente.
O motorista de taxi do título é um desses tipos felizões e bobões, super fudido de dinheiro, com uma filha pequena que cria sozinho (por ser viúvo).
Devendo meses de aluguel, com pouca comida em casa, sua filha usando um sapato pequeno para o número dela, ele é o tipo de cara alheio à crise à sua volta, apesar disso tudo.
O filme se passa em 1980, quando a Coréia do Sul vivia um momento péssimo, quase uma ditadura e por isso mesmo, a crise toda.
Mas motorista de táxi parece ser igual em todo lugar do mundo.
Enquanto aqui os taxistas eram os maiores fãs do Maluf, lá esse taxista não enxergava um palmo à sua frente.
Até que um dia fica sabendo de um trabalho que vai pagar muito bem, ainda mais pra ele: levar um jornalista alemão até uma cidade do interior que está sitiada pelo exército por ser o centro da resistência estudantil contra a ditadura.
O jornalista fica sabendo que de lá não saem notícias, nem imagens nem nada e por isso resolve ir até lá disfarçado como homem de negócios.
Ao chegar se depara com um clima de quase guerra civil.
A cidade quase fantasma, apesar de não ter toque de recolher, exército em tudo que é lugar e os estudantes e os supostos “comunistas” (o povo desinformado adora chamar os resistentes de comunista, né?) indo às ruas para protestar e para tentarem viver só que sendo fortemente parados pelos soldados.
No meio disso tudo o jornalista e sua câmera 16mm filma tudo o que consegue, escondido, para ninguém saber.
E o taxista embasbacado por perceber o que realmente acontece em seu país. Chocado ao se dar conta de que nunca tinha percebido isso tudo.
E essa dupla insólita acaba sendo a responsável por levar a notícia para o resto do mundo do que hoje é conhecido como o Massacre de Gwangju, a tal cidadezinha sitiada.
O filme começa como um daqueles dramas familiares coreanos com o personagem principal engraçadão e acaba virando um filme de guerra, praticamente, com perseguições de carros, tiros, mortes e tudo mais.
O filme é lindo, principalmente por mostrar o quanto a gente pode ser cego quando não queremos enxergar.
Em momentos de notícias dissimuladas e errôneas, onde a direita brasileira continua falando em comunistas, nada melhor que um filme desses.
O Motorista de Táxi é o filme coreano indicado para uma vaga ao Oscar de Filme Estrangeiro. E já tem a minha torcida.
