Nos meus bons tempos de nóia da Mostra de São Paulo, quando passava dias e dias dentro do cinema, Aki Kaurismaki era um dos meus diretores preferidos.

Finlandês, prolífero, sempre fazia uns filmes estranhos sobre pessoas estranhas e suas histórias mais estranhas ainda.
Até que nos últimos anos eu perdi o interesse por ele.
Mas seu mais recente filme, O Outro Lado da Esperança me fez lembrar porque eu amava esse finlandês maluco.
O filme conta a história de um refugiado sírio que chega à Finlândia escondido no meio do carvão de um navio cargueiro.
Ele primeiro aparece surgindo, todo sujo, para entrar em seu novo paraíso, um país lindo e limpo e promissor.
Só que não.
Logo as autoridades o encontram e começam uma perseguição ao refugiado sem papéis.
E o refugiado encontra abrigo em um restaurante comandado por um homem que nada sabe de restaurantes com um séquito de empregados que sabem menos ainda.
Uma hora o restaurante é típico finlandês, em outra é japonês e assim vai.
O refugiado encontra a turma perfeita enquanto tenta encontrar sua irmã, de quem se separou enquanto fugia da horror Sírio.
Aki mostra que o refugiado sírio, em um país completamente diferente de seu de origem, onde não sabe nada, não fala a língua, não conhece ninguém, é um país não tão diferente para quem nasceu lá mesmo, um lugar frio, quase inóspito socialmente.
Em tempos pós modernos e globalizados, o sírio na Finlândia sabe tanto da Finlândia como quem por lá nasceu. E esses precisam se adaptar ao seu país, da mesma forma que o refugiado de um país em guerra.
Uma aula de cinema, uma aula de personagens lindos, Bem vindo de volta à melhor forma, mestre Kaurismaki.
Ah, o filme tá na Mostra desse ano, imperdível.


Um pensamento sobre “303/365 O OUTRO LADO DA ESPERANÇA”