Ah, que filme!
Finalmente consegui assistir o tão desejado Beach Rats, um dos 3 filmes gays mais esperados do ano, depois do Oscar de Moonlight.
O primeiro e mais aclamado é o italiano Me Chame Pelo Seu Nome, que eu já tanto falei e tô doido pra ver.
O segundo é o inglês God’s Own Country, chamado de o novo Brokeback Mountain e que pelo que li é bem lindo também.
Beach Rats é o indie americano mais foda desde… Moonlight.
E todos os méritos são mais que devidos para a roteirista e diretora Eliza Hittman.
Roteiro redondinho, no pior dos sentidos e uma direção de me deixar 80 minutos de queixo caído.
O filme conta a história de um cara de seus 18, 19 anos, um rato de praia, lindo, sarado, maconheiro, da balada, com os amigos malacos, com o pai morrendo de câncer e a mãe preocupada e a irmã adolescente, vivendo o fim de férias a milhão.
Só que ele é gay e ninguém sabe.
No meio da madrugada, quando volta pra casa, muitas vezes bêbado e doido, entra na internet, procura sempre por caras mais velhos, vai encontrar e faz muito sexo.
Só que ele não se acha gay, tem namorada, esconde esse segredo, mas quanto mais ele força a barra de ser hétero, mais ele se decepciona consigo mesmo.
E, claro, ele no caminho vai fazendo umas cagadas homéricas.
Tudo isso, nas mãos de alguém não tão talentoso, poderia virar um filme adolescente besta, homofóbico e sem graça.
Mas nas mãos da diretora Hittman, o filme é uma lindeza só.
O amor que ela sente por seu personagem principal, vivido magistralmente pela maior surpresa do ano, Harris Dickinson, se faz ver em cada cena que ele aparece.
Prepare-se para o maior dos clichês, mas que se aplica muito bem nesse caso: a câmera AMA esse cara. E a diretora faz um ótimo uso disso.
Por mais banal que seja a cena com ele, nós enxergamos um deus na tela.
Nas cenas de sexo, vi imagens como há muito tempo eu não via em um filme “normal”.
Dickinson explode com a luz certa e os ângulos perfeitos, que mostram o quanto o menino confuso fica feliz e satisfeito e realizado quando beija e transa com outro homem.
Tudo lindo mesmo.
Fotografia absurda, direção mestra, trilha perfeita com pegada Tangerine Dream e o melhor, uma história bem contada demais com o final que me fez respeitar tudo mais ainda.
O filme foi super premiado o ano inteiro, começando lindamente em Sundance e digo mais, pra fechar com chave de ouro: nada do que eu tinha lido sobre o filme chega aos pés do que é Beach Rats.
Amém.
