Desamor é o novo filme do meu diretor russo preferido, Andrey Zvyagintsev.
Estreou em Cannes esse ano, foi um sucesso, apesar de sair sem prêmios e é só a confirmação do talento desse cara.
Ele é o diretor de um dos filmes preferidos da minha vida, O Retorno de 2003, o filme onde um pai volta pra casa depois de anos longe e passa um final de semana com seus 2 filhos. Um absurdo de lindo e triste e cruel e, de novo, lindo.
Em Desamor, Andrey nos dá mais um filme lindo e cruel e triste e, como diz o título, nos mostra o que acontece num micro mundo sem amor, como uma metáfora do que tem acontecido hoje em dia.
Só que não, não é uma metáfora, é uma metonímia, a parte pelo todo, é mostrar como uma família desmoronada representa o nosso mundo também desmoronado.
O casal se odeia e ainda casados, tentam vender o apartamento onde vivem para se divorciarem e seguirem com suas vidas.
Só que eles tem um filho, que não sabe que eles vão se separar e descobre da pior forma possível, ouvindo escondido uma conversa onde eles discutem quem vai ficar com o menino depois do divórcio, já que nenhum deles quer esse peso, principalmente a mãe que diz que não queria nem ter o filho, já que nunca amou o pai e só ficou com ele porque ele garantiu que eles seriam felizes para sempre.
E não são.
O pai tem uma namorada grávida. A mãe tem um namorado que ama de verdade.
O pai trabalha em uma empresa que não pode saber que ele vai se divorciar.
A mãe torce para que ele suma logo de sua vida.
E eu achava que o Asghar Farhadi era o grande diretor atual dos conflitos de casal, com seu Oscar pelo já clássico A Separação.
Só espere até você assistir Desamor.
Isso é filme sobre casal em crise, aliás, é o filme sobre o cúmulo do casal em crise, dirigido pelo melhor diretor, com um roteiro absurdo, muito bem fotografado e tudo mais que podemos esperar de um grande filme.
Só que aí, no meio de toda a crise do casal, o pior, se é que poderia ter um pior, acontece: o filho deles de 12 anos de idade some.
E como ele é totalmente negligenciado pelos pais, o sumiço só é descoberto depois de 2 dias porque a diretora da escola liga para a mãe perguntando do menino.
O filme vira de ponta cabeça.
Primeiro os pais procuram a polícia que não dá nenhuma esperança ao não-casal, explicando toda a burocracia e desdém em casos como esse.
De novo, uma fotografia do que deve ser o sistema russo hoje em dia.
Eles ficam sabendo de uma equipe privada que busca crianças desaparecidas e com a ajuda deles e a busca pela criança se inicia.
E o que poderia de alguma forma aproximar os pais os fasta de vez.
O universo dessa família é totalmente sem esperança.
A falta de amor é patente e influencia tudo o que acontece em sua volta.
Cruel.
Mesmo.
E imperdível, um dos 10 filmes do ano com certeza.
