Jim Carrey é um cara bem fudido. No bom sentido e no outro também, pelo que temos visto ultimamente.
O cara alcançou a fama absurda sendo um dos ótimos cômicos em Hollywood com os filmes mais idiotas de todos, O Máscara, Ace Ventura, Quanto Mais Idiota Melhor.
Só que o que demorou pra perceberem e pra nós percebermos foi o quanto ele era um ótimo ator “sério” também, o que começou a acontecer em O Show de Truman, um puta filme, mas que me deixou particularmente de boca aberta mesmo em O Mundo de Andy, onde ele recriava em filme a vida do grande Andy Kaufmann pelas mãos do fodaço diretor Milos Forman, o mesmo de Um Estranho No Ninho, Hair, Amadeus, O Povo Contra Larry Flint, só pra citar 4 grandes de uma obra gigante.
Eu me lembro de sair do Belas Artes de uma sessão de O Mundo de Andy e não acreditar no que eu tinha visto. Vi o filme sozinho e passei boas horas da noite pensando no que tinha acontecido nas 2 horas de exibição, de um primor de direção e recriação de muito do que eu nem conhecia mas que tinha certeza que tinha acontecido daquele jeito sim.
Tudo por causa do Jim Carrey, que estava irreconhecível no filme.
Agora, com o documentário Jim & Andy que acabou de ser lançado na Netflix, eu vi que na verdade não era Jim Carrey lá mesmo.
Como Carrey deixa claro, era o próprio Andy Kaufman que tomou conta de tudo durante a filmagem turbulenta, para ser fino.
Este documentário aconteceu porque Carrey combinou, ao ser contratado para o filme, que teria uma equipe fazendo um making of para ele mesmo e o material ficou por quase 20 anos guardado em seus arquivos e agora transformado em um dos maiores retratos de um artista em um estado radical de criação.
Jim Carrey, durante todo o fazer de O Mundo de Andy, “recebeu o espírito” de Andy Kaufman e exigiu que fosse tratado como tal.
Por meses não existiu mais Carrey, mas sim Kaufman.
Claro, vão falar do método, que muitos fazer isso, Brando fez, sei lá quem mais fez, mas era sempre no set, quando saía da maquiagem e figurino e enquanto filmavam.
Carrey morreu e Andy ressuscitou.
Os atores do filme que tinham trabalhado com Kaufman anteriormente ficaram chocados como Carrey estava igualzinho o ator.
A família de Kaufman, quando visitou o set, não acreditava.
Até uma filha que foi reconhecida depois da morte do ator, que nunca o conheceu, passou um tempo do Carrey e sentiu que estava falando com seu pai falecido.
Só que nada disso foi fácil.
Fiquei chocado ao ver no documentário o quanto o diretor Forman sofreu com isso. Ele tentava dirigir Jim Carrey e Andy Kaufman respondia para ele. Por tempos ele não sabia o que fazer mas aos poucos foi descobrindo formas de driblar os problemas.
Mas o mais punk de tudo é ver Carrey hoje em dia, falando do que aconteceu durante as filmagens, do que ele não lembra, do quanto Andy tomou seu espírito e daí pra baixo.
O filme é triste e chocante ao mesmo tempo.
E um belo retrato de uma super produção hollywoodiana sendo feita, com um dos maiores diretores da época sofrendo, com atores e donos de estúdio sem saber o que fazer com o que acontecia. E o pior, tentando parar com o making of de Carrey, mas para nossa sorte isso não aconteceu.
Carry hoje em dia tem se mostrado um cara muito imprevisível e esse filme só mostra o quanto ele sempre foi esse doidão que hoje tomou conta do seu ser.
