Jacques Doillon é um daqueles diretores da linha que eu nunca entendi a que vieram.
Não tem nenhum filme do cara que eu tenho gostado totalmente, e olha que ele filma muito.
Ele tem alguns filmes interessantes, como Ponette mas que no fim das contas, promete mais do que entrega.
Assisti Rodin com a maior boa vontade mas com os 2 pés atrás, porque na minha opinião não vai ter filme nunca na história do mundo que fale de Rodin como Camille Claudel, que nem é um filme sobre Rodin mas sim sobre sua aluna e protegé e amante, a escultora Camille Claudel.
Naquele filme, Isabelle Adjani rouba todas as cenas e todos os holofotes de 1988, ano de seu lançamento, inclusive quando vai receber o Cesar de melhor atriz no melhor figurino de todos e no discurso de agradecimento, além de revelar que é filha de argelinos (o que é uma vergonha para a tradicional família francesa), ela lê trechos dos Versos Satânicos, à época que o autor Salman Rushdie vivia escondido com a cabeça a prêmio pedido por um aiatolá estúpido iraniano.
Bom, voltando a Rodin, fui e não é que nem foi tão ruim assim?
O filme tem quase a mesma história de Camille Claudel, só que focada mais no mestre que na aluna.
E é legal ver o outro lado, o lado do gênio da escultura francesa, do ogro revoltado, mulherengo, safado e, de novo, gênio.
Ver o cara que até os 40 anos de idade não sabia o que fazer da vida e então resolve pintar e esculpir e o fim todo mundo conhece com museu com seu nome e Porta do Inferno e tudo mais.
Em C. Claudel, Rodin foi vivido por Gerard Depardieu e eu achava que também era definitivo.
Mas o Rodin de Vincent Lindon, que é um puta de um ator, é tão bom quanto do Depardieu.
Talvez mais tosco, mais ogro ao mesmo tempo que muito sutil quando tem que ser.
Mas Lindon é mais forte, mais frio até e eu acho que Rodin, pelo tudo que já li a respeito, era mais desse jeito mesmo.
Doillon acertou ao escolher o ator mas errou feio no resto do elenco, um bando de sem graça que só servem de escada para Lindon mesmo.
O que por si só não seja ruim.
Mas senti falta de mais interação à altura, de mais troca mesmo, apesar que pra um filme do Doillon, sei lá se viria.
