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336/365 CORPO E ALMA

Sabe aqueles filmes bem estranhões que a gente gosta tanto?

Esse é Corpo e Alma, o representante da Hungria na corrida pelo Oscar de filme de língua não inglesa.

O filme é um primo distante da Lagosta, só que um pouco mais sossegado, por assim dizer.

Corpo e Alma se passa basicamente em um matadouro de gado onde uma nova diretora de qualidade começa trabalhar.

Ela é calada, solitária, linda e por essas e outras vira o papo dos corredores do lugar, todo mundo curioso para saber mais sobre a nova e misteriosa mulher.

O tempo passa e ela vai se mostrando cada vez mais estranha mas aos poucos o diretor financeiro do lugar vai tentando se aproximar dela, ao que é levado a uns sustos pela sinceridade da moça.

Aliás, uma das grandes coisas do filme é que apesar da estranheza toda do que vemos nos personagens, tudo é filmado da forma mais simples e normal possível, quase como se fosse uma novela, sem o diretor se mostrar nem querer aparecer mais que sua história.

Um dia um crime acontece no matadouro e uma psicóloga é chamada para entrevistar todos os funcionários para descobrir quem é o culpado, olha que coisa civilizada.

Nessas entrevistas ela descobre que a linda diretora tem exatamente os mesmos sonhos que o financeiro e coloca os 2 frente a frente para confrontá-los, quando eles mesmos descobrem a sincronicidade onírica.

Nestes sonhos, eles são um casal de cervos pelas florestas húngaras, no verão, no inverno, sempre juntos.

E sim, os sonhos são idênticos, eles fazem testes e assim chegam a essa conclusão.

Aos poucos, por causa dos sonhos, eles vão se aproximando e criando uma intimidade bem bizarrinha, já que assim nós também vamos descobrindo a intimidade desses dois personagens tão peculiares.

E quando eu achava que o filme estava doido, ele fica mais ainda, num dos roteiros mais originais do ano.

Acho que não tem chances de ser indicado ao Oscar, mas Corpo e Alma é um forte candidato a filme sensação se bem trabalhado pelos distribuidores mundiais.

Não por menos o filme foi o vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlin desse ano.

E um dos meus preferidos de 2017.

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