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354/365 RAT FILM

Eu tinha jurado que não ia assistir Rat Film por motivos de ter PAVOR de ratos, mas não resisti.

O pavor é tanto que quando eu assisti Ratatouille eu mais sofri do que achei fofo: um rato na cozinha, na cabeça de um chef, pra mim é a descrição do sofrimento no inferno.

Rat Film é um documentário não como os conhecemos.

É quase um ensaio, um estudo.

Com a desculpa de falar dos ratos que infestam uma cidade americana, Baltimore, a Baltimore do John Waters, da Divine comendo coco de cachorro na calçada, o diretor Theo Anthony mostra na verdade como é o povo de lá, os que temem os ratos, os que amam os ratos, os que caçam os ratos para viver, outros que caçam os ratos por diversão.

E o diretor vai nos contando essa história lá de longe, mostrando que num passado recente, os “donos” da cidade estavam mais preocupados em segregar os negros, por exemplo, do que se preocupavam com o já problema de saúde pública.

Hoje em dia, Baltimore é tomada pelos roedores e por sua cara de pau.

E vemos essa cara de pau quando os caçadores amadores saem a rua a noite armados para pegarem os ratos.

Seria ridículo, se não fosse verdade, mas um deles sai com uma vara de pesca para pegar ratos.

Sério.

Eu achei que o filme seria mais nojento, teria mais rato podre pra cima e pra baixo.

Não que não tenha, tem, mas a história contada e melhor, a forma como foi contada a história me fez até esquecer de um pavor e trocar por outro, que é o nosso dia a dia, tendo rato ou não e como esses ratos de Baltimore, ou dos metrôs por aqui, e dos ratos que, sorrateiros, nos afrontam nas noites das cidades grandes com lixos jogados por todo lado, sem o menor cuidado.

Rat Film nos mostra que o problema não é o rato, o problema é o povo sem educação que joga lixo na rua, sofá no rio e por aí vai, como o problema também não está só em Baltimore, mas também na esquina da sua casa.

E não, o filme não é um filminho educativo com lição de moral, é um documentário quase punk, de jogar na nossa cara de uma forma única o que nós não queremos enxergar e assumir.

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