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356/365 A GUERRA DOS SEXOS

Você odeia jogos de tênis como eu?

Então assista correndo esse filmaço que é A Guerra dos Sexos.

Pra começar, tem um dos melhores roteiros do ano disparado, escrito por Simon Beaufoy, baseado numa história real ótima

Segundo, tem um elenco de dar inveja: estrelado por Emma Stone (numa das melhores atuações da carreira) e por Steve Carell (meio chatinho num papel chatinho). O filme ainda tem o melhor elenco de apoio do ano com Elisabeth Shue (cor de laranja e renascida dos mortos), Sarah Silverman (provando de vez que é boa atriz e não só mais uma mulher fodona e engraçada), Alan Cumming, Bill Pullman, Fred Armisen e o mais gato de todos Austin Stowell.

Terceiro, a direção é tão precisa e bem cuidada e bem estudada que dá vontade de ajoelhar na frente do casal Valerie Faris e Jonathan Dayton.

E olha que eu nem curto tanto os dois, que alcançaram um hype com o (pra mim meia boca) Pequena Miss Sunshine.

O filme conta a história real de quando as tenistas americanas, em 1973, se rebelaram contra a federação nacional de lá por receberem muito menos do que os prêmios e cachês que os tenistas homens recebiam nos torneios.

Os cartolas falavam que o homens eram mais fortes, os jogos mais emocionantes e que eles vendiam mais ingressos.

As mulheres, lideradas pela número 1 do ranking, Billie Jean King, saíram fora da instituição e começaram uma turnê nacional de jogos patrocinadas por uma marca de cigarro.

Ao mesmo tempo que os tais cartolas não esperavam o sucesso da turnê, um ex campeão já aposentado, Bobby Riggs, que adorava chamar atenção com seus truques publicitários, ofereceu um prêmio de 100 mil dólares a qualquer mulher tenista que ganhasse dele em um jogo.

Esse Bobby Riggs era tão mas tão cuzão, o tipo de cara que hoje em dia teria um instagram ostentação absurdo, sem vergonha na cara. Só que na época ele armava fotos com as principais revistas americanas que iam na dele sem vergonha na cara.

Billie Jean em princípio não aceitou a proposta dizendo que ele só queria aparecer, mas cansada de ouvir tanto absurdo dele, resolveu aceitar o desafio.

O pano de fundo disso tudo é a mesma Billie Jean descobrindo o amor… lésbico.

Ela era casada e apaixonada pelo marido, quando conheceu uma cabeleireira com quem transa e aos poucos vai se apaixonando.

Claro que isso é uma grande coisa no filme, tratada com a mesma importância que o famoso jogo em si.

Sim, o filme é um libelo à igualdade, mostrando que lá em 1973 a coisa era feia, que a mulher era paga menos que o homem, que era considerada fraca, sem graça.

Pois é, nada mudou muito infelizmente, isso porque histórias como essa aconteceram. Imagino o que seria hoje sem essas histórias. Mas o problema é a ignorância, certo, as pessoas não sabem de nada.

Billie Jean foi até o final de sua vida uma grande lutadora pelos direitos LGBTQ’s e durante o filme, os homens estúpidos a chamam de feminista o tempo todo, como se isso fosse uma falta de caráter.

Mas o legal desse filme são os detalhes mesmo.

Tem uma cena quase besta mas que se torna tão linda que me arrepiou: o idiota do Bobby Riggs está jantando com sua esposa e seu filho pequeno. Cada adulto em uma ponta da mesa e o menino sentado bem ao meio.

O casal conversa sobre dinheiro e fortuna e como ela é milionária e sustenta o marido. A cena é decupada com closes dos 2 conversando e o mais bacana, intercalados com uns planos do menino olhando para os dois como se estivesse assistindo um jogo de tênis, virando a cabeça de um lado (da quadra) para outro.

Uma pérola linda.

Imperdível.

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