Mais uma das boas surpresas de final de ano.

Respiro é o filme iraniano, que tentou uma vaga ao Oscar de Filme Estrangeiro também, da diretora Narges Abyar, uma fábula quase fantástica criada em meio aos escombros do início da Guerra com o Iraque nos anos 90’s.
O filme é focado e narrado em Bahar, uma menina de uns 10 anos de idade que tem como maior sonho de vida ser um menino e ser médica para cuidar da asma do pai, porque tudo que ela faz, que para nós ocidentais seria o normal, para aldeões iranianos é um problema atrás do outro.
Ela gosta de ler, de estudar, de conhecer, é curiosa, inteligente, brinca, pergunta e apanha.
Apanha da avó porque é ousada, apanha do professor porque lê livro de adulto, apanha do diretor da escola porque desobedece o rígido.
Mas só quer ser feliz.
E é em meio a histórias e lendas e livros e fábulas que essa menina vai vivendo.
E no filme, essas histórias e lendas são recriadas em animações com referências iranianas lindas demais, tornando tudo mais onírico e mágico ainda.
O filme, ou melhor, o roteiro, é uma aula de como contar uma história em princípio banal e transformá-la em mágica.
A diretora é ótima e ainda por cima comprou briga com Trump que proibiu a entrada dela nos EUA.
Mas ótima mesmo é a jovem atriz Sareh Nour Mousavi que faz a menina sonhadora e encantodora Bahar, num dos filmes mais lindos e tristes do ano.

