2/365 ARTISTA DO DESASTRE

Uns bons 7, 8 anos atrás, quando eu ainda tinha paciência de assistir filme ruim, eu baixei de muito custo The Room, considerado o pior filme americano de todos os tempos.

Nível Cinderela Baiana, saca?

Pois bem, diferente do filme da Carla, não consegui passar dos primeiro 20 minutos de The Room e não consegui entender como o filme foi produzido ou mesmo lançado em 2003.

artista do desastre

14 anos depois, em 2017, James Franco lança Artista do Desastre, um filme baseado na produção dessa trolha.

Eu fiquei com meus 2 pés atrás, quando soube do projeto, até porque pensava que nada dali poderia ser interessante.

Fora que o bode que eu tenho do James Franco hoje em dia é gigante, principalmente depois da bomba que foi King Cobra.

Mas para minha surpresa, em todos os festivais que o filme era exibido, saía com ares de obra prima: SXSW, Toronto, até que ganhou a Concha de Ouro em San Sebastian.

E o mais absurdo de tudo: todo mundo falava que esse era o melhor papel da carreira de Franco.

Tá bom, vamos ver e “tapanaminhacara”: o filme é o máximo.

Franco faz Tommy Wiseau, o até hoje misterioso produtor, roteirista, ator e diretor de The Room.

Ia colocar aspas nos cargos, mas a bem da verdade é que o cara produziu com seu próprio dinheiro, escreveu o roteiro, atuou e dirigiu a porcaria que acabou virando filme cult de sessão da meia noite em cinemas americanos.

E o mais doido, ele vive até hoje dando rolês em sessões, fazendo noites de autógrafos, tirando fotos e vivendo desse anti hype.

Wiseau era um cara que talvez tivesse 40 anos de idade, talvez 30, mas que falava pra todo mundo que tinha uns 18, 20 anos. Ele tenta enganar na aparência, no sotaque, nas roupas, nos trejeitos mas ninguém entende direito quem ou o que é o figura.

Fazia aula de atuação e era um absurdo de errado.

Ele se aproxima de um outro aluno, claro com intenções sexuais, jogando seu (pseudo) charme e usando do poder que a idade (e o dinheiro) lhe deram e com sua Mercedes e sua mansão em São Francisco jogadas na cara do moleque, o convence a mudar para Los Angeles com o tipo bizarro para tentarem juntos a carreira de ator.

Claro que em LA ninguém consegue nada e Wiseau resolve escrever um filme para ele e seu muso estrelarem e daí nasce The Room.

Ele banca a produção toda e a estreia e duas semanas de exibição na cidade para que o filme pudesse ser considerado para o Oscar, veja só a pretensão do fulano.

Tudo isso já seria bizarro se a gente não visse quem era Tommy Wiseau.

E James Franco nos entrega de bandeja (de ouro) um dos personagens mais bizarros e intrigantes do cinema atual.

E o melhor: a atuação de Franco não é nada caricata, como costuma ser. Acho que por ter encontrado alguém na vida real que fosse pior que ele.

A história toda é bem estranha, o cara é bem mais estranho que a história e o filme é bem bom contando isso tudo.

Depois de assistir Artista do Desastre eu dei uma segunda chance a The Room e amanhã falo do filme. Ou não.

Nota: 🎬🎬🎬🎬

 

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