5/365 LUCKY

Toda vez que eu leio algo do tipo “o canto do cisne de fulano” ou ” o filme que fulano esperou a vida inteira para estrelar”, “o canto do cisne” eu fico com o pé atrás e geralmente nem assisto.

Com Lucky foi assim.

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Muita gente falando muito bem e pra mim parecia que eram elogios ao recém falecido astro do filme o grande Harry Dean Stanton.

Sim, o filme é a elegia do ótimo ator mas não só.

Lucky é um baita de um filme sobre um homem nos seus 90 anos de idade que já viveu tudo, já passou por tudo e em sua rotina quase sem graça, parece que está esperando a morte chegar.

E ninguém melhor do que um dos grandes coadjuvantes do cinema americano nos últimos de sua existência dar vida a um personagem que, em princípio está ali esperando a visita derradeira mas que aos poucos, Stanton nos mostra que ninguém está morto até que esteja a sete palmos.

Lucky tem seu ritmo próprio, uma linha de raciocínio que é quase obscena em tempos de rapidez internética e por isso mesmo nos mostra, ou melhor, nos joga na cara que a idade não chega para todos, mas chega para alguns sortudos.

Harry Dean deve ter sido um cara muito sortudo, com ótimos amigos e bem amado por eles porque esse filme sim, é acima de tudo uma grande homenagem a um grande ator e ao que parece, a um grande ser humano.

Acompanhar os momentos tão peculiares da vida de Lucky, suas manias, sua palavra cruzada, o café como ele gostava de tomar, a rabugice, o mau humor no bar, seus amigos e companheiros, me deu mais vontade de levar uma vida bacana pra ter um grupo assim na minha velhice.

E o mais legal de tudo nesse filme, é que Lucky, ou Harry Dean, é a estrela principal e o foco da história e ponto, o cara procurando iluminação no fim da vida porque, né, nunca é tarde.

Mas que os coadjuvantes, os atores que passam pelo filme e pela vida de Lucky são um deleite para o cinéfilo de plantão: David Lynch, Tom Skerritt, Ron Livingston, Ed Begley Jr, Barry Shabaka Henley, ah que delícia.

Tudo isso dirigido pelo também ator e cada vez melhor diretor, John Carroll Lynch, que nos brindou esse ano já com um ótimo filme sobre a treta do Mac Donalds, Fome de Poder.

Nota 🎬🎬🎬1/2

Um pensamento sobre “5/365 LUCKY

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