Em 16 minutos de A Grande Jogada eu já estava cansado.
O filme parece que foi escrito pela Amy Sherman Paladino doida de cocaína.
Imagina a Lorelai de Gilmore Girls cheirada.
Pois é.
A Grande Jogada conta a história de Molly Bloom, uma menina do interior dos EUA que nasceu e foi criada para ser uma super atleta no esqui olímpico. Só que por um acaso do destino, ele se acidenta e seus planos mudam.
Ela vai viver em L.A. em um ano sabático e descobre que pode ficar rica promovendo jogos de pôquer de super alto nível para jogadores milionários e famosos e muito milionários e muito famosos, de forma discreta, uma vez por semana.
O que ela não contava era que tudo sai do controle quando o olho fica maior que a barriga, como dizia a minha avó.
E Molly, depois de voar, voar, subir, subir, não esperava que a queda seria proporcional à altura que lá chegou.
Ela se fode, recebe amaças, apanha e como cereja do bolo, é presa pelo FBI em um sem número de acusações.
E isso é só a metade do filme.
Como disse antes, o grande roteirista que faz sua estreia como diretor Aaron Sorkin, usa e abusa de texto e diálogo e freneticamente conta em 2h10 uma história que daria uma mini série de uns 10 capítulos.
A seu favor ele tem um pura elenco com Jessica Chastain fazendo a Molly, Kevin Costner fazendo seu pai super duro e o bonitão Idris Elba fazendo um advogado bom demais pra uma cliente como Molly.
O problema do filme é querer me fazer acreditar que essa menina do interior é uma pessoa super bacana e inocente e que não sabia onde estava se metendo quando montou sua rede de jogatina com atores de Hollywood, atletas famosos, donos e presidentes de tudo possível e um monte de gente da máfia italiana, da máfia russa e mais sabe-se lá de onde.
A redenção, como todo filme desse nível tem que mostrar, é um pouco forçada demais.
Dou um exemplo recente de Eu, Tanya, onde o diretor faz questão de não julgar e de não forçar uma barra tentando mostrar que a patinadora não sabia que seu marido ia mandar quebrar o joelho de sua grande rival.
Em A Grande Jogada, Sorkin não deixa que o público chegue às suas próprias conclusões. Ele quer que a gente acredite que Molly é uma tadinha que só queria ganhar dinheiro e cheirar cocaína e tomar todas as drogas possíveis e que ela nunca fez sexo com ninguém e que ela não sabia que a máfia lavava dinheiro em seus jogos, nem quando um cara chega com um Manet de 7 milhões de dólares de garantia para uma jogatina.
Tadinha, né, tão naive.
Sorkin usa até a trilha do Daniel Pembertom, fodão que fez filmes do Ridley Scott e tal, pra passar essa ideia de gente como a gente.
A trilha parece um monte de música descartada do Keane ou do Editors. O filme perdeu muito com esse detalhezinho, com essa vontade de dar a cara de um feel good film que não é.
Claro que o elenco é bom e que o filme é bem escrito e dirigido, mas é só um filme qualquer, nada que mereça indicações a prêmios, nem pra Jessica, que tá bem numa personagem besta que não chega aos pés de Frances McDormand ou da Sally Hawkins.
Nota 🎬🎬🎬1/2
