Dawson City: Frozen Time provavelmente seja uma dos filmes mais importantes de todos os tempos, mesmo sendo um dos filmes mais estranhos e intrigantes de todos os tempos.
Ou talvez por isso mesmo.
Dawson City: Frozen Time é o legítimo filme de “found footage”. Na vida real. E não é um filme de terror.
O diretor Bill Morrison teve em mãos um monte de lata de negativo de nitrato de prata, o um material antigo e muito inflamável e que deteriora facilmente.
Essas latas foram encontradas na cidade de Dawson no Canadá, onde foram enterradas/escondidas/guardadas em 1929.
Eram 533 latas de um precioso tesouro do cinema mudo, que foi captado no auge da corrida do ouro canadense, na região de Dawson e, veja bem, tesouro esse enterrada sob um rinque de patinação, claro, no gelo, que virou uma piscina depois abandonada, em uma cidade que fica a menos de 300 km do Círculo Polar Ártico.
Mas e o filme?
Morrison revelou, tratou, decupou, escreveu e editou uma das coisas mais lindas que você vai ver.
O filme é uma ode ao cinema mudo, aos anos 1920’s, só que pensado e criado como um filme de 2016.
A grande coisa, em minha opinião, de Dawson City: Frozen Time é isso.
Estamos acostumados a assistirmos filmes mudos que foram lançados no início do século XX, que foram captados e montados com a sabedoria e conhecimento daquela época.
Dawson City: Frozen Time é um filme de 2017 que, por acaso, foi captado antes de 1929.
Parece uma bobagem isso que estou escrevendo mas garanto que depois de uma sessão desse filme, sua percepção em relação ao próprio cinema vai mudar.
NOTA 🎬🎬🎬🎬1/2

