Um paradoxo é uma afirmação aparentemente verdadeira que leva à uma contradição lógica.
Por exemplo, “essa porcaria de filme é muito bom” ou “esse roteiro tosco funcionou perfeitamente”.
No caso deste Cloverfield não existe nenhum paradoxo: essa porcaria de filme é SIM uma porcaria; esse roteiro tosco é SIM muito tosco.
O filme é o terceiro da trilogia Cloverfield, que começou com um belo de um filme de monstro misturado com found footage e que, para nosso sofrimento, confirmou a moda de found footage até hoje.
O segundo filme é um huis clos, onde 3 personagens ficam presos em um bunker o filme todo. E super funciona.
Este terceiro tem uma boa premissa: a Terra está em crise energética fudida e para isso mandam uma equipe de cientistas internacionais (um americano, uma inglesa, uma chinesa, um russo, um brasileiro monge e um irlandês doidão; tinha como funcionar?) em uma estação espacial com um acelerador de partícula Boson de Higgs para que funcione lá e mande energia para a Terra.
Sim, a partícula de Deus deve ser tão punk que os caras mandaram pro meio do espaço pra fazer funcionar a parada.
O que eles não contavam, porque não acreditavam num teórico da conspiração do youtube, é que a partícula de Deus poderia abrir portais e misturar dimensões.
Bom, se o roteiro fosse só isso, o filme poderia ser ótimo mas os caras tentaram colocar tanta pegadinha no meio da história que nenhuma delas vai pra frente.
É mistura de dimensões, é portal, é gente ouvindo vozes, é coisa que some e reaparece onde não deveria estar, é fila para colocar gasolina no carro, tudo ao mesmo tempo agora.
Fora o elenco, que parece ter saído de um teste sem cachê de alguma produtora ruim de alguma cidadezinha tosca americana, onde eles tentam fazer sotaques e não conseguem.
Ah, e a cientista chinesa que só fala chinês e todo mundo entende e fala chinês com ela e inglês com o resto e ela ouve inglês e responde em chinês. Pra nada.
O paradoxo de Cloverfield pra mim é: como que a Netflix caiu nessa cilada de comprar esse roteiro tosco e quem teve a ideia mais tosca de colocar esse filme como o terceiro Cloverfield.
A Netflix lançou o trailer no milionário break comercial do Superbowl e já lançaram o filme logo após o jogo, tipo, vamos desovar logo essa porcaria porque ninguém sabe o que fazer com isso.
Aliás, fiquei o filme inteiro esperando o monstro aparecer, e olha que eles perderam várias oportunidades espaciais para que isso acontecesse, mas a hora que ele aparece, eu só consegui rir.
Muito.
De tristeza, diga-se de passagem.
E não, parem de comparar esse filme com um episódio de Black Mirror que não tem nada a ver uma coisa com a outra.
NOTA 🎬🎬

