O Formidável, apesar de todas as críticas positivas que eu havia lido, era um filme que eu queria ver mas com um pé bem atrás.
Por puro preconceito besta mesmo, porque o filme é do diretor de O Artista, Michel Hazanavicius e quanto mais o tempo passa, mas eu me esqueço daquele filme, apesar (ou por causa) de toda sua fofura.
Bom, fui pego de calças curtas: O Formidável é formidável.
E com um senso de humor que eu achei… formidável.
Tá, parei.
O filme conta a história do romance do cineasta/iconoclasta suíço Jean-Luc Godard com a atriz Anne Wiazemsky, estrela de seu filme A Chinesa.
O filme foi um libelo maoísta de Godard em pleno 1968, no momento das lutas e levantes estudantis por toda a França, no momento que o comunismo chinês era um sonho quase adolescente de filosofia e futuro.
O que poderia ser o filme mais hermético e chato do ano acaba sendo um grande prazer para os olhos e a cabeça.
Ao mesmo tempo que mostra um diretor de cinema enfranhado com toda essa filosofia radical, seu casamento com a atriz de 18 anos de idade sofre as consequências não só por Godard ser considerado um burguês que não entende o proletariado que ele tanto defende, mas também porque vemos o quanto o cinema é parte importante desse cara que mudou a cara dos filmes.
Godard é vivido magistralmente por Louis Garrel, com um sotaque tão preciso que dá até medo. Anne é vivida por uma Stacy Martin transfigurada em uma menina de 18 anos de idade que é frágil e apaixonada por um ídolo ao mesmo tempo que forte e com personalidade.
E claro que não poderia faltar no filme a esposa do diretor, Bérénice Bejo, a estrela de O Artista.
Mas todos os louros são devidos ao diretor Hazanacicius, que faz o filme mais bem humorado do ano, tirando quase leite de pedra em um roteiro onde, nas mãos de outro, poderia ter se tornado um filme cabeça e chato.
Uma das boas piadas é quando ele fala de atores fazerem nu em filme, do quanto o nu tem que ser pertinente para uma atriz ou um ator aceitar aparecer sem roupa.
A minha única reclamação é descobrir um lado bem escroto de Godard, o cara que é um Deus pra mim, mas que é humano, com falhas e com uma escrotidão ímpar quando e como e porque lhe convém.
O filme não é considerado um puta filme, talvez por ser mais careta/engraçado do que deveria ao abordar essa fase tão engajada e politizada da história do cinema, mas eu achei que esse é exatamente o charme do filme e por isso mesmo, imperdível.
NOTA 🎬🎬🎬🎬

