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Gloria Grahame foi uma atriz bem famosa americana nos anos de 1940 e 50, quando inclusive ganhou Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo filme Assim Estava Escrito.
E para termos ideia (eu não tinha percebido isso até agora), o nome dela nem estava em destaque no poster do filme, como podemos ver abaixo.
Talvez por ela ser uma coadjuvante do filme, mas uma possibilidade é por ela ser uma “atriz difícil”, como costumavam rotular antigamente.
Ou melhor, como ainda rotulam até hoje, mesmo tem tempos pós-Weinstein.
Imagino que ela devesse ser alguém como uma Susan Sarandon ou uma Frances McDormand porque, logo após o sucesso na década de 1950, Gloria entrou num ostracismo que a fez muito mal.
Nos anos 1970 ela foi diagnosticada com câncer nas mamas e depois de fazer um tratamento às escondidas, não contando nem para sua família sobre a doença, Gloria continuava sua carreira, mas agora no teatro principalmente.
E foi em cartaz no teatro que ela conheceu o último amor de sua vida.
Em cartaz em Liverpool, na Inglaterra, ela conhece e se apaixona por um aspirante a ator, Peter Turner, muito mais novo que ela e com quem viveu as idas e vindas de um romance até sua morte em 1981.
E a história desse romance é contada nesse lindo Film Stars Don’t Die In Liverpool, com o meu preferido da vida Jamie Bell como o ator bissexual e apaixonado, num dos melhores papéis de sua carreira.
Mas o filme é totalmente da maravilhosa Annette Bening como Gloria, a atriz que já foi famosa, oscarizada, a outra loira rival de Marilyn Monroe, a doidona que se casou 5 vezes e uma delas com o filho de seu marido (oi, Woody Allen).
A decadência física de uma atriz, o ser humano mais vaidoso por excelência, é retratado de uma forma tão eficaz nesse filme, e com certeza no livro de onde foi adaptado que nos faz pensar o quanto esse tipo de situação, o envelhecer, faz diferença em nossas vidas.
E nem estou falando do câncer pelo qual Gloria passa, se trata, pensa que se cura e que aos poucos vai piorando sua situação.
O pior para ela é ser chamada de “velha demais” quando cogita ser Julieta no teatro aos 50 e tantos anos de idade.
Ou quando ela vai a um restaurante em Nova Iorque e nenhum dos paparazzi tira fotos dela mas quando Liza Minelli chega eles se acotovelam por um clique, mesmo que o rosto dela Gloria esteja estampado pelo restaurante das estrelas.
Mas o carinho e o amor que ela encontra em Peter e sua família disfuncional faz com que seus últimos anos sejam ímpares, com talvez um carinha e amor que não receberia de sua mãe, por exemplo, que aliás, é vivida pela diva Vanessa Redgrave em uma cena pra lá de triste.
O filme tem o showzinho dos atores principais, de Vanessa e também da mãe do personagem de Jamie Bell, vivida pela sumida e maravilhosa Julie Walters que dá showzinhos em toda cena que aparece.
Infelizmente o filme tem umas cenas “externas” em estúdio meio mal feitas que acabam com sua magia, mas fora isso, é uma delícia de assistir, apesar de toda a tristeza da história.
E a edição, a proposta da montagem do ir e vir, que no começo pareceu um pouco sem propósito, no final das contas funciona super bem como uma forma de contar um roteiro que poderia ser meio sem graça para tanto drama.
A única coisa que eu espero de verdade é que Annette Bening filme mais e mais, acho ela uma das grandes atrizes americanas e uma das mais desvalorizadas.
E que esse filme seja uma das molas propulsoras de uma volta por cima em sua carreira.
Tudo ao som de Song For Guy do Elton John, como Gloria gostava.
NOTA 🎬🎬🎬🎬


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