86/365 PYEWACKET

Pyewacket é o tipo de filme de terror que eu mais gosto de ver, o terror real, terror que vem das pessoas ao nosso redor, pessoas que a gente nem percebe que são monstros da vida real, como num bom filme do Cronenberg.

No caso de Pyewacket, o horror vem de uma filha adolescente revoltadinha ligada a rituais de magia negra.

Pais, tenham medo.

Nesse filme, uma família bem disfuncional sofre com a morte recente do pai.

A mãe não segura muito a onda e chora o tempo todo, às vezes perdendo a cabeça e dizendo estar com raiva da filha porque a faz lembrar do marido morto.

A filha, de saco cheio, curte um death metal, curte magia negra, curte livros de terror, mas só curte, nunca fez nada, nem ela nem seus 3 amigos góticos suaves da escola.

Eles são tão bundas moles que nem o bonitinho que ela quer beijar ela beija.

Até o dia que a mãe resolve vender a casa e comprar outra longe, para tentar esquecer de vez o marido morto e seguir em frente.

A menina fica pistola!

Vai ter que mudar de escola, de amigos, de vida.

Mas a mãe, apesar dos pesares, se fode para dirigir não sei quantas horas por dia para levá-la e buscá-la para que a fofa não sofra.

Só que a adolescente, não contente com a situação nova, começa a fazer uns feitiços e uns rituais na floresta atrás da casa dela e, não por acaso, um monstro entra na parada e a mãe começa a dançar lindamente.

Imagina uma mina tão chata como a Lady Bird só que bem do mal!

O filme é um terrorzão típico, bem feito, com um roteiro por vezes normalzinho mas que vai ganhando corpo com o passar do filme.

E o legal é o que falei antes, o terror vem de quem a gente menos espera, da filha adolescente, contra a mãe porque, né, adolescente.

É a representação do que quase todo adolescente já sentiu alguma vez por seus pais, “queria que morressem”.

Aliás, os 4 amigos gotiquinhos falam isso no filme, saindo de uma noite de autógrafos de um autor de terror: “que legal se meu pai fosse um cara tipo esse autor, mas será que eu ia achar que ele seria cool sendo meu pai?”.

Essa é a grande coisa do filme, nenhum pai é cool o suficiente pra qualquer adolescente.

(Eu sempre achei que minha filha me achava bacana até um dia ela me dizer que me achava bravo demais)

Pra fechar, prestem atenção na mãe a na filha, Laurie Holden de The Walking Dead e a novata Nicole Muñoz, que estão muito, muito bem no filme.

NOTA 🎬🎬🎬1/2

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