Finalmente assisti O Insulto, o filme libanês que causou um rebuliço em Veneza ano passado e foi o candidato ao Oscar de filme não inglesa.
O filme mostrou para mim o quanto eu conheço pouco do Oriente Médio.
A gente só fica sabendo das guerras, dos conflitos religiosos, de como as cidades sempre foram lindas e hoje estão sendo destruídas por loucos.
Mas neste filme eu vi o quanto somos diferentes enquanto povo, enquanto.
Tudo começa quando um libanês maltrata um refugiado palestino que está fazendo um serviço de construção em sua casa e o refugiado o xinga.
O que para nós seria motivo para uma briguinha rápida, uma troca de insultos ou no máximo uns socos trocados, por lá o incidente acaba se tornando quase que um problema diplomático.
O refugiado libanês, com seu orgulho, se recusa a pedir desculpas ao libanês por achar que ele foi insultado também.
Já o libanês não para de ofender o refugiado exigindo que ele se desculpe, principalmente porque lá não é seu país, ele está lá por um favor.
Esses dois personagens são a representação dos polos opostos do povo que vive no Líbano e em outros países por lá.
A tensão é constante, vidas são perdidas e nada melhora.
Na verdade, só piora.
E o melhor de tudo: este filme, esta história, transportada para o Brasil de hoje, nessa polaridade política que vivemos, funcionaria.
E se não tivermos cuidado, aquela crise, aquela tensão religiosa vai acabar chegando por aqui.
O roteiro de O Insulto é um daqueles perfeitos, a serem estudados.
Nenhuma frase é supérflua, nada é demais, tudo tem um porquê.
E seu diretor, Ziad Doueiri cria uma pérola a partir disto.
Um dos obrigatórios.
NOTA 🎬🎬🎬🎬🎬

